América Latina se prepara para intenso El Niño entre outubro e dezembro, alerta representante da ONU

El Niño pode agravar a crise agrícola na América Latina, exigindo investimentos em infraestrutura e políticas para mitigar os impactos climáticos severos.

30/07/2026 18:50

2 min

Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, concede entrevista à Reuters em Adis Abeba, Etiópia
Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas...

A América Latina se prepara para enfrentar um fenômeno climático severo, conhecido como El Niño, entre outubro e dezembro de 2026. Essa situação pode intensificar os problemas no abastecimento agrícola, já afetado pelo conflito no Estreito de Ormuz.

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A informação foi divulgada pelo economista – chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Máximo Torero, em entrevista à Reuters.

Torero destacou que a região está diante de um “duplo golpe”, enfrentando não apenas condições climáticas extremas, mas também uma escassez significativa de fertilizantes e sementes híbridas. Esses insumos foram comprometidos devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz durante as tensões entre Estados Unidos e Irã.

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Impactos do El Niño na agricultura

O economista alertou sobre a alta probabilidade de que o próximo El Niño seja intenso, comparável ao fenômeno registrado em 2015. Segundo ele, o impacto desse evento climático será desigual nas diferentes partes da América Latina. No Peru, por exemplo, a costa norte deve enfrentar inundações severas, enquanto as regiões montanhosas lidam com a escassez de água.

Um padrão semelhante deve ser observado entre o norte e o sul do Chile.

Para minimizar os efeitos dessa crise climática, Torero enfatizou a importância de políticas governamentais que abordem simultaneamente as diversas adversidades. Ele ressaltou que é fundamental preparar a infraestrutura para evitar interrupções no transporte e desenvolver sementes resilientes.

Além disso, sugeriu que as colheitas sejam antecipadas para mitigar danos causados por tempestades.

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Preparação e investimentos necessários

Recentemente, o Centro de Previsão Climática dos EUA estimou uma probabilidade de 81% de um El Niño “muito forte”, podendo ser classificado entre os mais severos desde 1950. Torero fez um apelo por investimentos em preparação, afirmando que cada dólar gasto nessa área pode gerar um retorno de US 7, em comparação aos apenas US 3 obtidos com medidas reativas após os desastres.

A FAO identificou o Corredor Seco da América Central como uma zona de risco muito alto durante o período do El Niño. Essa região, caracterizada por sua floresta tropical na costa do Pacífico, requer atenção especial para evitar crises alimentares e garantir a segurança alimentar da população local.

Com os desafios impostos tanto pelas condições climáticas quanto pela escassez de insumos agrícolas, é crucial que os países latino – americanos implementem estratégias eficazes para lidar com essa realidade emergente.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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