Ajuda internacional inicia retirada de equipes um mês após terremoto devastador na Venezuela

A diminuição da ajuda internacional intensifica a busca desesperada de familiares por entes queridos entre os escombros na Venezuela.

Maquinário pesado trabalhando na remoção de escombros, após os terremotos de 24 de junho, em La Guaira, Venezuela

Em La Guaira, Maikol Morales retorna todos os dias ao prédio onde viveu com sua família até um mês atrás, agora reduzido a uma montanha de concreto e poeira. Ele já encontrou o corpo da mãe e busca por seu pai, irmã e sobrinhos. “Esta é a minha casa. É aqui que preciso procurá – los.

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Tenho certeza de que todos estão aqui”, afirma Morales, um dos muitos que ainda visitam os escombros após o devastador terremoto que atingiu a Venezuela.

O desastre, considerado um dos mais graves da história do país e o terremoto mais forte registrado em mais de um século, deixou dezenas de famílias em luto. Com as operações de resgate diminuindo e muitas equipes internacionais já partindo, os parentes passaram a assumir a responsabilidade por remover toneladas de concreto na esperança de encontrar seus entes queridos.

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A prioridade se tornou recuperar os corpos para poder dar um sepultamento digno.

Desespero e busca por respostas

Arlinda Prada também não desiste de voltar ao local do desabamento. “O simples fato de saber que eles estão aqui já basta. O importante é conseguir recuperar seus corpos, dar a eles um sepultamento digno e encerrar esse ciclo emocional”, diz ela.

Para muitos, essa busca se transformou em uma necessidade humana essencial.

A ajuda internacional começou a diminuir nas últimas semanas. Grupos como os Topos de Tlatelolco, do México, encerraram suas missões após concluírem as buscas por sobreviventes. A Espanha também retirou seu hospital de campanha em Caracas, que atendeu cerca de 3.500 pessoas durante quatro semanas.

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No entanto, mesmo com a presença internacional ainda significativa — com cerca de 2.000 socorristas no país — algumas equipes já retornaram para casa após cumprirem suas missões. Carlos Pirela, voluntário venezuelano que voltou ao país após o terremoto, expressou sua satisfação em ajudar as famílias a encontrarem encerramento enquanto se prepara para retornar ao Chile.

A crise humanitária se agrava

A fase inicial das buscas pode estar chegando ao fim, mas organizações humanitárias alertam que a Venezuela enfrenta uma nova etapa complexa. O IRC (Comitê Internacional de Resgate) destacou que sem investimentos urgentes para revitalizar a economia e melhorar serviços básicos, o desastre poderá levar a uma crise humanitária ainda mais severa.

Cerca de 8 milhões de pessoas já necessitavam de ajuda humanitária antes dos terremotos; esse número saltou para 9,4 milhões em apenas um mês. Rafael Velásquez García, responsável pela resposta do IRC aos terremotos na Venezuela, ressaltou que além da destruição física, há uma devastação econômica silenciosa que requer atenção imediata.

A FICV (Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho) também reconheceu que muitos ainda enfrentam dificuldades para ter acesso à água potável e saneamento básico. “O desastre está longe de acabar”, alertou Loyce Pace, diretora regional da FICV para as Américas.

A incerteza continua

Um mês após os terremotos, milhares de venezuelanos continuam lidando com perdas significativas. Dados oficiais indicam que cerca de 18 mil pessoas perderam suas casas e outras 23 mil permanecem abrigadas em acampamentos temporários. As autoridades relataram a destruição de 190 edifícios enquanto estimativas da NASA indicam danos em aproximadamente 60 mil construções.

A situação é crítica: o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) calcula que cerca de 8,6 milhões foram afetados pelos tremores e os prejuízos econômicos podem chegar a US 6,7 bilhões.

No cemitério La Esperanza, autoridades locais preparam um espaço especial para os corpos retirados dos escombros à espera de identificação pelos familiares. Milagris Rodríguez viajou do Chile em busca da mãe desaparecida desde o dia do terremoto e não perdeu as esperanças mesmo diante da incerteza.

Muitas famílias como a de Maikol Morales continuam voltando ao mesmo prédio em ruínas na esperança desesperada de encontrar seus entes queridos sob os destroços. Para eles, cada dia é uma luta contra o tempo e a dor da perda.