Agro pode gerar até R 314,3 milhões em créditos de carbono até 2035, aponta estudo

O estudo revela que o agronegócio brasileiro pode se tornar um protagonista na agenda climática, gerando bilhões em créditos de carbono até 2035.

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O agronegócio brasileiro pode gerar até R 314,3 milhões em créditos de carbono até 2035, segundo um estudo apresentado na quinta – feira (6) durante o Fórum de Agro & Sistemas Alimentares, parte da São Paulo Climate Week. No entanto, a falta de regras operacionais para autorizar e comercializar esses ativos impede que o setor aproveite plenamente as oportunidades do mercado internacional.

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O levantamento foi elaborado pela Carbonn Nature com o apoio do Instituto Equilíbrio e do IEAg (Instituto de Estudos do Agronegócio), além da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio). A pesquisa indica que o Brasil poderia movimentar bilhões de reais sem comprometer suas metas climáticas.

Poder de geração de receitas

Uma estratégia moderada para autorizações, que limite o impacto a até 4% sobre a segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil no âmbito do Acordo de Paris, permitiria a negociação de cerca de 15,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente no mercado internacional.

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Esse volume poderia resultar em receitas estimadas em até R 2,4 bilhões por meio dos Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, um mecanismo previsto no Artigo 6 do Acordo de Paris.

Caso os créditos sejam direcionados ao Corsia, programa internacional voltado à compensação das emissões da aviação civil, a receita potencial sobe para R 3,5 bilhões. O estudo destaca que o potencial do agronegócio brasileiro está concentrado em três frentes: o manejo aprimorado das terras agrícolas, a recuperação de áreas degradadas e a redução das emissões de metano provenientes do manejo de dejetos animais.

Mudanças no papel do agronegócio

A pesquisadora Natascha Trennepohl, responsável pelo estudo, enfatiza que essa pesquisa reflete uma mudança significativa na percepção sobre o agronegócio dentro da agenda climática. “O agronegócio brasileiro deixou de ser discutido apenas como fonte de emissões e passa a ocupar o centro da conversa sobre soluções”, afirmou.

Para ela, não há uma escolha binária entre gerar receita com carbono e proteger as metas climáticas do País; ambas podem coexistir com critérios bem definidos.

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No entanto, mesmo com todo esse potencial identificado, os valores estimados não garantem receitas concretas. A realização dos negócios depende da autorização do governo brasileiro para reconhecer os créditos como ITMOs (Internationally Transferred Mitigation Outcomes), além da existência de compradores internacionais e das condições favoráveis no mercado.

Regulamentação necessária

A análise dos autores aponta que o principal obstáculo não reside na capacidade do agronegócio em gerar créditos ou na demanda externa, mas sim na ausência de regulamentações que façam o mercado funcionar. Entre as medidas prioritárias estão a regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris e a definição clara dos critérios para autorização dos ITMOs.

Ainda são necessárias ações como o reconhecimento das metodologias agropecuárias no SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), criação de limites compatíveis com as metas climáticas brasileiras e fortalecimento dos sistemas para monitoramento e verificação dos projetos.

Além disso, recomenda – se preparar os projetos brasileiros para atender ao aumento da demanda do Corsia a partir de 2027.

Caminho para o futuro

Natascha Trennepohl acredita que o Brasil possui as condições técnicas necessárias para competir nesse mercado global. Contudo, ela ressalta que ainda é preciso avançar nas regulamentações. “O Brasil já fez a parte mais difícil ao comprovar que tem escala, metodologia e integridade ambiental.

O que falta agora é essencialmente operacional: destravar a regulamentação para transformar esse potencial em projetos concretos que gerem investimento e renda para os produtores rurais”, concluiu.