Vereador Senival Moura é solto após mais de um mês preso por ligação com o PCC em SP
A soltura de Senival Moura ocorre em meio a investigações que revelam um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o transporte público de São Paulo.
O vereador Senival Moura (PT), de 61 anos, foi solto após mais de um mês de prisão. Ele estava detido desde 26 de junho, acusado de envolvimento com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em um esquema de lavagem de dinheiro que envolve o transporte público da capital paulista.
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No vídeo, Senival Moura aparece discursando no plenário da Câmara Municipal de São Paulo e reafirma sua inocência. “Reitero aqui a minha inocência em tudo aquilo que foi divulgado pelos meios de comunicação e a injustiça que está sendo cometida contra este vereador”, declarou ele.
Pronunciamento do vereador
A prisão do parlamentar ocorreu durante a “Operação Última Parada”, realizada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), que tinha como objetivo desmantelar o esquema criminoso. Além dele, o presidente da Transunião também teve mandado de prisão expedido.
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Após sua detenção, Senival pediu afastamento do PT.
Desdobramentos das investigações
A CNN Brasil entrou em contato com o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que informou não poder se manifestar sobre o caso devido ao sigilo das investigações. A reportagem também busca contato com a defesa do vereador e com a Prefeitura de São Paulo para mais esclarecimentos.
As investigações começaram após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. O Ministério Público apurou indícios de que a empresa teria sido utilizada pela facção criminosa para lavar dinheiro. Em 2025, a concessionária recebeu mais de R 300 milhões do sistema de transporte paulistano.
Como parte das ações judiciais, foram determinados o bloqueio e o sequestro de R 194 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados e à Transunião. Além disso, houve apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. A Justiça também afastou os diretores da empresa e notificou a Prefeitura para tomar as medidas administrativas necessárias.
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Núcleo paralelo e conexões criminosas
Os investigadores descobriram um núcleo paralelo atuando na transferência de recursos para integrantes do PCC. Mudanças societárias na Transunião teriam sido influenciadas pela organização criminosa. O capital social da empresa aumentou drasticamente, passando de pouco mais de R100 mil para mais de R 50 milhões sem explicações claras sobre a origem dos recursos.
Além disso, as apurações revelaram ligações entre as atividades investigadas na Operação Última Parada e outras operações policiais, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Esta última foi conduzida pela Polícia Federal para investigar um esquema internacional de tráfico envolvendo o PCC e a máfia italiana ‘Ndrangheta.
Histórico no transporte público
No ano passado, em 2024, o Gaeco deflagrou a Operação Fim da Linha, que desarticulou organizações criminosas suspeitas de lavar dinheiro do PCC através das empresas UPBus e Transwolff. Essas duas concessionárias eram responsáveis pelo transporte diário de cerca de 700 mil passageiros na capital paulista e receberam juntas mais de R 800 milhões da Prefeitura em 2023.