Venda de participação da Fifa gera críticas de confederações e amplia crise no futebol
A venda de participação da Fifa gera descontentamento entre confederações, que exigem maior transparência e diálogo em decisões que afetam o futebol.
A proposta da Fifa de vender uma participação em sua subsidiária comercial, avaliada em 20 bilhões de dólares (R 102 bilhões), gerou uma onda de críticas por parte das confederações continentais. As entidades, incluindo a Concacaf e a AFC, afirmaram que foram pegas de surpresa ao saber do plano de abertura para investidores privados através da imprensa, e não pelos canais oficiais da Fifa.
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No dia 28 de março, a Fifa anunciou sua intenção de criar uma nova subsidiária focada na administração da Copa do Mundo e outros eventos. O projeto prevê a venda de até 20% da empresa para investidores externos. Segundo a proposta, essa nova entidade será chamada Fifa Forward Enterprise e ficará encarregada das operações comerciais da organização.
Críticas da Concacaf
A Concacaf expressou forte descontentamento em nota oficial, revelando que tomou conhecimento do projeto apenas por meio de reportagens. “Estamos profundamente preocupados com a falta de devido processo”, afirmou a entidade. Além disso, a Concacaf compartilhou sua frustração pelo fato de um projeto tão significativo ter sido elaborado e divulgado sem discussões prévias com as partes interessadas.
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A entidade destacou que confederações e federações nacionais têm um papel crucial na tomada de decisões que visem o melhor interesse do futebol. “Toda decisão deve ser guiada por boa governança, processos sólidos e uma visão de longo prazo”, completou a nota.
Posição da AFC
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se manifestou sobre o assunto. Embora reconheça a importância da inovação no desenvolvimento do esporte, a AFC disse estar decepcionada pela falta de oportunidade para analisar a proposta antes de sua divulgação.
A entidade ressaltou que decisões dessa magnitude devem ser baseadas em princípios como boa governança e transparência.
Além disso, a AFC enfatizou que todos os envolvidos devem ter acesso a informações suficientes e tempo adequado para avaliar os potenciais impactos da proposta nos aspectos governamentais, jurídicos e comerciais do futebol.
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Reações das federações nacionais
O descontentamento também se espalhou entre as federações nacionais. Philippe Diallo, presidente da Federação Francesa de Futebol, afirmou que sua entidade não tinha sido informada sobre o plano. Ele levantou preocupações sobre permitir investimentos privados em uma empresa ligada à Fifa sem envolvimento das federações filiadas.
A Federação Inglesa (FA) declarou estar “completamente alheia” ao projeto e expressou preocupação com a falta de processos adequados na elaboração da proposta. A FA aguarda informações mais detalhadas antes de se posicionar oficialmente sobre o tema.
Uefa convoca reunião
A Uefa convocou uma reunião emergencial com suas 55 associações filiadas para discutir a proposta da Fifa e elaborar uma estratégia conjunta em resposta às preocupações levantadas. Até o momento, a entidade não respondeu aos pedidos de comentário sobre o assunto.
Preocupação na Comissão Europeia
Glenn Micallef, comissário europeu para o Esporte, manifestou preocupação com os riscos potenciais decorrentes do alinhamento dos interesses financeiros dos investidores privados com os poderes regulatórios da Fifa.