Unicamp Descobre Enzima-chave Ligada à Esquizofrenia

Unicamp identifica enzima fundamental na esquizofrenia, abrindo caminho para novas terapias preventivas (2026).

23/07/2026 16:31

3 min

esquizofrenia
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Pesquisadores brasileiros apontaram que alterações microscópicas no desenvolvimento cerebral podem criar condições de risco para o surgimento da esquizofrenia anos mais tarde, muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos.

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Um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Instituto DOr de Pesquisa e Ensino, investigou como falhas na formação neural impactam a arquitetura mental humana. Os achados foram publicados na revista científica Glial Health Research e reforçam uma visão cada vez mais aceita sobre as causas multifatoriais desse transtorno crônico.

O papel das enzimas no desenvolvimento cerebral

A esquizofrenia é um quadro complexo que afeta não apenas os pensamentos ou emoções da pessoa — manifestando sintomas conhecidos como alucinações e delírios —, mas todo o funcionamento do cérebro, desde sua capacidade de interpretar a realidade até suas relações sociais diárias.

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Para entender esse risco precoce, cientistas utilizaram “minicérebros” criados em laboratório com células – tronco humanas para observar mecanismos fundamentais durante as fases iniciais.

Os pesquisadores focaram na enzima PHGDH (fosfoglicerato desidrogenase). Essa proteína específica tem uma função vital: produzir D – serina, que é essencial no bom desempenho dos receptores cerebrais responsáveis pela aprendizagem e pelo estabelecimento das conexões neurônicas.

Quando os minicérebros foram submetidos ao bloqueio dessa enzima, o impacto foi imediato:

Observou – se a queda drástica nos níveis de D – serina junto a um grave desequilíbrio em substâncias metabólicas cruciais para o cérebro, como lactato e glutamina. Esse cenário fez com que os próprios neurônios tivessem grande dificuldade não só em sobreviver quanto em estabelecer as ligações necessárias.

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A importância do suporte celular no amadurecimento

Além da falha enzimática, outro ponto crucial levantado pelo estudo é a dependência dos astrócitos — células responsáveis por dar apoio físico aos neurônios. Os cientistas notaram uma diferença de adaptação entre esses tipos celulares: enquanto alguns conseguiram manter parte das funções mesmo diante da deficiência na enzima PHGDH, o desenvolvimento normal e maduro foi comprometido nos próprios neurônios que precisavam desse auxílio constante para funcionar plenamente.

“O cérebro funciona como um sistema integrado; os neurônios não trabalham isoladamente”, explica Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós – PhD em neurociências do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito. “Eles dependem dessas células suporte tanto no recebimento de nutrientes quanto na manutenção metabólica e comunicação.”

Alterações precoces: risco ou destino?

Apesar da gravidade dos achados científicos que apontam para falhas estruturais iniciais — o comprometimento das conexões cerebrais —, os pesquisadores fizeram questão de esclarecer um ponto fundamental sobre a natureza dessa doença.

“É crucial entender, contudo, que essas alterações não significam diagnóstico”, alerta Dr. Fabiano Agrela em suas explicações ao público especializado do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito. Ele reforça que esquizofrenia é uma condição altamente multifatorial; ela resulta sempre da interação entre fatores genéticos, ambientais acumulados na vida e biológicos.”

Compreender o cérebro para prevenir no futuro

Para os especialistas envolvidos com a pesquisa neurocientífica brasileira, estudos como este representam um avanço gigantesco porque mostram que muitas doenças psiquiátricas podem ter raízes muito antes dos sintomas serem visíveis clinicamente.

“Quanto mais conseguirmos entender mecanismos de formação cerebral — quais favorecem ou prejudicam esse desenvolvimento —, maiores serão as possibilidades futuras”, conclui Dr. Fabiano Agrela sobre prevenção e tratamento. Ele enfatiza que essa compreensão é vital para criar estratégias ainda não existentes: desde identificação precoce até tratamentos direcionados às causas biológicas da doença.”

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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