Trump sai cada vez mais enfraquecido em conflito com o Irã, afirma professora

A pesquisa revela um crescente descontentamento da população americana com a guerra no Irã, impactando negativamente a popularidade de Trump em ano eleitoral.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante o jantar de correspondentes da Casa Branca

Uma nova pesquisa realizada pela Reuters – Ipsos mostra que apenas 33% dos americanos apoiam a guerra contra o Irã, o que representa o índice mais baixo desde o início do conflito, que já se estende por cinco meses, superando as cinco semanas previstas inicialmente.

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Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), comentou sobre os dados da pesquisa ao programa Hora H.

A pesquisa revelou que 62% dos entrevistados são contrários ao conflito, enquanto 5% não opinaram. A maioria apontou que o presidente Donald Trump não conseguiu transmitir de forma clara os objetivos dos Estados Unidos no Irã. Durante a guerra, Trump apresentou diversas justificativas, como auxiliar os iranianos na derrubada do regime dos ayatollahs e impedir o país de desenvolver armas nucleares.

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Até agora, 18 soldados americanos perderam a vida no Oriente Médio.

Impacto nas eleições “midterms”

Marson avaliou que os resultados da pesquisa refletem uma tendência observada desde o início do conflito. “Os dados corroboram uma falta de clareza nos objetivos dos Estados Unidos em relação a essa ação no Irã”, disse a professora. Ela destacou que essa situação é ainda mais preocupante porque surge próximo às eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que podem alterar a configuração do Congresso americano.

A especialista ressaltou que pesquisas anteriores já indicavam a possibilidade de os republicanos perderem a maioria em pelo menos uma das casas do Congresso. “Trump já enfrentava uma queda na sua popularidade e isso impacta também a imagem do Partido Republicano”, afirmou Marson.

Embora a porta – voz da Casa Branca tenha garantido que Trump não seria influenciado pelas pesquisas de opinião, Marson acredita que os dados sugerem o contrário. “Donald Trump sai cada vez mais enfraquecido nesse conflito”, avaliou.

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Por que o apoio é menor do que em outras guerras?

Ao comparar o atual conflito com guerras passadas, Marson identificou diferenças contextuais significativas. Na guerra do Iraque, por exemplo, o apoio popular nos primeiros meses chegou a cerca de 70%, enquanto na guerra do Afeganistão esse número atingiu 90%.

Segundo ela, esses conflitos foram catalisados pelos ataques terroristas de 11 de setembro, mobilizando a população americana em defesa do seu território e alimentando um sentimento de revanche.

No caso do Irã, no entanto, a situação é distinta. Marson destacou que a baixa popularidade de Trump não significa um apoio à nação iraniana. “Muitos americanos ainda veem o Irã como um país contestador na região e acreditam que ele precisa ser contido, mas estão insatisfeitos com as ações de Trump”, afirmou.

A professora lembrou ainda que Trump se elegeu prometendo evitar intervenções prolongadas em outros países e agora enfrenta um conflito que se estendeu muito além do previsto.

Oposição no Congresso e pressões econômicas

A oposição ao governo americano quanto aos pedidos por mais recursos para o conflito tem crescido entre os democratas no Congresso, visando limitar os poderes de Trump relacionados à guerra. No entanto, Marson observou que essa insatisfação não vem apenas dos democratas; parte dos republicanos também manifesta descontentamento. “Essa oposição é ampla”, disse.

Além disso, Trump enfrenta pressões econômicas significativas: aumento nos preços dos combustíveis, crescimento do custo de vida devido às tarifas aplicadas e uma inflação em torno de 4%, dois pontos percentuais acima da previsão feita pelo Federal Reserve.

Para Marson, é improvável que Trump retire as tropas americanas neste momento sem garantir uma saída com “um ar de vitória”, pois isso poderia resultar em perda adicional de apoio popular.

Encontros com Zelensky e Netanyahu

A professora também comentou sobre as reuniões entre Trump e líderes internacionais como Volodymyr Zelensky da Ucrânia e Benjamin Netanyahu de Israel. O encontro com Zelensky é especialmente significativo devido às tensões históricas entre eles, principalmente após episódios em que Trump pressionou publicamente Zelensky diante da imprensa.

Sobre Netanyahu, Marson destacou a importância da reunião dentro do contexto da guerra contra o Irã. A professora mencionou que Netanyahu tende a agir independentemente mesmo sob pressão americana: “Ele toma suas próprias decisões”. Essas interações revelam as complexidades das relações exteriores dos Estados Unidos frente ao atual cenário geopolítico.