Trigo fecha julho com alta de 8,5% em Chicago devido a riscos geopolíticos e clima desfavorável

A alta no preço do trigo reflete preocupações com a produção global e tensões geopolíticas, impactando diretamente o mercado internacional.

Lavouras de trigo antes da colheita, em Arapongas

Os contratos de trigo negociados na Bolsa de Chicago fecharam julho com uma valorização de 8,5% em relação ao mês anterior. No período, o cereal chegou a registrar um aumento impressionante de 23,1%, impulsionado pela forte alta nas bolsas internacionais e pelo aumento da volatilidade.

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O preço do trigo começou o mês próximo de US 5,90 por bushel e atingiu seu pico entre os dias 22 e 24 de julho, alcançando valores entre US 7,20 e US 7,25 por bushel. Contudo, nos últimos pregões do mês, houve uma correção técnica e os contratos encerraram a sessão desta sexta – feira (31) cotados a US 6,39 por bushel para entrega em setembro.

Movimentos no mercado internacional

A intensidade das oscilações chamou a atenção dos especialistas. Douglas Araújo, trader da CJ Trading, comentou que a alta foi “muito forte em um período extremamente curto”. Segundo ele, a volatilidade é significativa devido à situação logística provocada pelos conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro.

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A valorização observada na primeira metade de julho foi impulsionada por vários fatores, como preocupações com as condições climáticas em regiões produtoras importantes e questões geopolíticas que impactaram as estimativas de produção mundial.

O mercado acabou incorporando um prêmio de risco e as compras especulativas ajudaram a acelerar o aumento dos preços.

Após atingir os picos do mês, o mercado passou por uma realização de lucros e ajustes técnicos a partir do dia 25. Os preços recuaram para a faixa entre US 6,70 e US 6,80 por bushel, mas apresentaram uma nova reação compradora nos últimos dias do mês, chegando novamente perto dos US 6,99 por bushel.

Cenário global e suas implicações

Além das oscilações nos preços, o cenário global de oferta e demanda desempenha um papel crucial na sustentação das cotações. Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam uma queda na produção mundial de trigo em comparação com a temporada anterior.

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As projeções apontam para reduções significativas: 23% nos Estados Unidos, 6% na União Europeia, 2% na Rússia, 25% na Argentina e 15% no Brasil.

Elcio Bento, analista da Safras & Mercado, destacou que o início da guerra entre Rússia e Ucrânia trouxe mudanças drásticas ao mercado. Inicialmente havia temor sobre a interrupção das exportações desses grandes produtores do Mar Negro. No entanto, essa percepção mudou à medida que ambos continuaram abastecendo o mercado internacional.

Bento também enfatizou que a relação entre produção e consumo global se tornou mais equilibrada nesta temporada. No ano passado, a produção superou o consumo em cerca de 26 milhões de toneladas; neste ciclo, essa margem está reduzida, aumentando a pressão sobre os estoques mundiais.

Tensões geopolíticas influenciam o preço

A influência dos Estados Unidos sobre as cotações internacionais continua relevante. Apesar de terem perdido participação no comércio global de trigo, ainda são referência para formação de preços através das bolsas norte – americanas. A safra norte – americana está enfrentando desafios como menor área plantada e condições desfavoráveis das lavouras.

Atualmente, a área cultivada com trigo nos EUA é a menor desde 1919 e espera – se que a produção seja a mais baixa desde 1970. O saldo exportável também é o menor desde que começaram as estatísticas em 1960.

Adicionalmente, fatores geopolíticos têm exacerbado a volatilidade do mercado. A região do Mar Negro abriga importantes exportadores como Rússia e Ucrânia que somam cerca de 35% das exportações globais de trigo. Araújo alertou para áreas estratégicas que podem afetar essas exportações caso ocorram desacelerações significativas nos embarques.

Expectativas futuras no Brasil

No Brasil, os preços internos seguem fortemente influenciados pela valorização internacional do trigo. Bento observa que as bolsas norte – americanas funcionam como um trilho orientador para os demais mercados. A Argentina se destaca como uma alternativa viável para abastecimento devido à vantagem logística frente às incertezas ligadas ao Mar Negro.

As condições climáticas no Sul do Brasil também estão sob vigilância. Araújo apontou que esta região pode ser impactada pelo fenômeno El Niño nas próximas safras. “O El Niño pode afetar até mesmo a safra vindoura”, disse ele.

Embora tenha havido recente valorização dos preços internacionais do trigo, analistas afirmam que os estoques globais ainda mantêm um equilíbrio confortável entre oferta e consumo. Araújo finaliza ressaltando que “a manutenção do fluxo comercial é essencial para garantir este conforto”.

Assim sendo, qualquer instabilidade na rota comercial poderá provocar flutuações significativas nas cotações futuras.