Tarifaço de R 18,5 bilhões é criticado por ex-secretário como “band-aid” do governo

O governo brasileiro anunciou um pacote de R 18,5 bilhões para apoiar setores prejudicados pelo aumento de tarifas dos Estados Unidos. Lucas Ferraz, ex – secretário de Comércio Exterior, comentou ao programa Hora H que essa medida é “mais um band – aid que o governo brasileiro tenta colocar” nas relações com os norte – americanos, que enfrentam pressões em diversas frentes.
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Embora reconheça a generosidade do montante, Ferraz destacou que ainda não estão claros os critérios para a liberação dos recursos e a continuidade do programa. Ele acredita que, apesar de trazer um alívio temporário para as empresas exportadoras brasileiras, o número de empresas afetadas agora é menor em comparação ao registrado em julho do ano passado.
Incertezas nas relações comerciais
Ferraz apontou que desde 2 de abril de 2025, as tarifas impostas aos exportadores brasileiros mudaram seis vezes, com uma média de alterações a cada três ou quatro meses. “O nível de incerteza que se coloca é sem precedentes”, afirmou ele. Esse panorama tem um impacto direto no comércio bilateral entre Brasil e EUA, que é caracterizado pelo comércio intra – indústria entre multinacionais dos dois países.
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Os dados mais recentes revelam um cenário complicado para as importações brasileiras provenientes dos EUA. A falta de previsibilidade afeta não apenas as negociações comerciais, mas também a capacidade das empresas de se planejarem adequadamente.
Desafios da política comercial brasileira
Questionado sobre como o Brasil poderia se reposicionar nas cadeias globais de valor, Ferraz foi claro: “O Brasil agora, infelizmente, paga o preço do seu atraso.” Ele destacou que as tarifas de importação no país estão entre as mais altas do mundo, variando entre 12% e 13%, além da existência de picos tarifários e barreiras não tarifárias.
De acordo com o Banco Mundial, o Brasil ocupa a segunda posição em termos de restrições relacionadas às barreiras não tarifárias.
A soma das barreiras técnicas e sanitárias pode elevar o custo efetivo para mais de 22%. Além disso, Ferraz mencionou que apenas 15% dos destinos das exportações brasileiras são beneficiados por tarifas preferenciais. Com os novos acordos firmados com Singapura, EFTA e União Europeia, esse percentual poderá aumentar para 30%, mas ainda ficará muito aquém da média mundial que varia entre 70% e 80%.
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Propostas para diversificação comercial
Diante da crescente dependência do Brasil em relação à China — responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras — e da queda das exportações para os EUA, que passaram de 25% para menos de 9%, Ferraz defendeu a necessidade urgente de dinamizar a agenda comercial do país.
Ele também sugeriu uma reforma na tarifa externa comum do Mercosul para permitir maior flexibilidade e abertura em negociações unilaterais.
Essa mudança já está sendo adotada por Uruguai e Argentina. “O Brasil e seus parceiros comerciais precisam rediscutir o bloco e modernizá – lo para torná – lo mais dinâmico”, finalizou Ferraz.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



