Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil estão proibidos na União Europeia, aponta pesquisa
A pesquisa revela que o uso de agrotóxicos proibidos na Europa levanta preocupações sobre a saúde pública e o meio ambiente no Brasil.
Uma pesquisa da Agência Brasil revelou que sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil estão proibidos na União Europeia (UE). Esses produtos continuam a ser fabricados por empresas europeias e exportados para o mercado brasileiro. A geógrafa Larissa Mies Bombardi, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) na França, classificou essa situação como um exemplo de “colonialismo químico”.
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A afirmação foi feita durante uma palestra na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro.
Bombardi enfatizou que o Brasil permite a utilização de substâncias que foram vetadas na Europa devido aos riscos que representam à saúde humana e ao meio ambiente. No evento, ela apresentou dados significativos sobre o uso desses defensivos agrícolas, destacando os efeitos adversos associados a eles.
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Agrotóxicos proibidos e suas consequências
De acordo com a pesquisadora, os agrotóxicos banidos na União Europeia são relacionados a problemas graves como câncer, malformações fetais, distúrbios hormonais e danos à biodiversidade. Durante sua apresentação no dia 31 de julho, Bombardi destacou que entre os dez defensivos agrícolas mais utilizados no Brasil em 2023, os seguintes estão proibidos na UE: mancozebe, 2,4 – D, acefato, clorotalonil, atrazina, S – metolacloro e dibrometo de diquate.
Os únicos autorizados na UE entre os mais usados no Brasil são glufosinato de amônio e malationa, embora estes também estejam sob restrições em alguns países.
A pesquisa trouxe à tona ainda dados alarmantes sobre a diminuição da população de insetos e borboletas. O Atlas dos Pesticidas 2022 aponta que a população global de insetos caiu 41% entre 2009 e 2019, enquanto as borboletas tiveram uma redução ainda maior de 53%.
Além disso, estudos associam o uso da atrazina a alterações hormonais em anfíbios.
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Brasil como principal destino das exportações
O Brasil se destacou em 2023 como o principal destino para as exportações de pesticidas proibidos na União Europeia, recebendo cerca de 3 mil toneladas desse tipo de produto. Esse volume é maior do que a soma das exportações destinadas à Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, que totalizam aproximadamente 2,6 mil toneladas.
Bombardi ressaltou que essa realidade caracteriza uma forma de colonialismo químico.
A concentração do mercado global também foi abordada pela geógrafa. Ela informou que quatro grandes empresas — Basf, Bayer, Corteva e Sinochem — controlam 51% do mercado mundial de sementes e 62% do segmento de defensivos agrícolas. Essa concentração resulta de um longo processo de fusões e aquisições ao longo das últimas décadas.
Legislação brasileira sobre agrotóxicos
A reportagem da Agência Brasil destaca que desde 2023 está em vigor a Lei nº 14.785, conhecida como Lei dos Agrotóxicos. Esta legislação estabelece critérios para o registro e uso desses produtos no país. O registro é concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após avaliação toxicológica pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e análise ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama.
A Anvisa informou à Agência Brasil que cada país possui suas próprias regras para autorizar ou proibir defensivos agrícolas. Embora os registros no Brasil tenham validade indeterminada, eles podem ser reavaliados quando surgem novas evidências sobre riscos à saúde ou ao meio ambiente.
Desde 2006, a agência já finalizou 20 processos desse tipo.
Lista dos principais agrotóxicos utilizados
A seguir estão os dez agrotóxicos mais utilizados no Brasil em 2023 e seu status na União Europeia:
1. Glifosato e seus sais 2. Mancozebe — proibido na UE 3. 2,4 – D — proibido na UE 4. Acefato — proibido na UE 5. Clorotalonil — proibido na UE 6. Atrazina — proibido na UE 7. S – metolacloro — proibido na UE 8. Glufosinato (sal de amônio) 9.
Malationa 10.