Senadores discutem limitações ao poder do novo conselho de minerais críticos e adiam votação

Senadores buscam restringir o poder do novo conselho de minerais críticos, adiando a votação para discutir alterações que visam maior controle governamental.

17/07/2026 15:56

3 min

Plenário do Senado Federal
Plenário do Senado Federal

Senadores estão discutindo a limitação do poder do conselho que será criado para coordenar a política nacional de minerais críticos e monitorar as operações no setor mineral. Essa pauta ganhou destaque após o parecer do senador Wilder Morais (PL – GO) em um projeto específico do Senado.

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A votação, que estava prevista para esta terça – feira (14) na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), foi adiada devido a um pedido de vista coletiva feito pelos senadores Laércio Oliveira (PP – SE), Marcos Pontes (PL – SP) e Rogério Carvalho (PT – SE.

O presidente da comissão, Marcos Rogério (PL – RO), também apoiou a solicitação e defendeu alterações para diminuir a discricionariedade do governo na atuação do novo conselho.

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Embora o parecer de Wilder não aborde o PL 2.780/2024, já aprovado pela Câmara dos Deputados e enviado ao Senado, ele é relator de outra proposta, o PL 4.443/2025, que também estabelece uma Política Nacional de MineraisCríticos e Estratégicos.

Apesar das diferenças entre os projetos, o texto apresentado no Senado inclui muitos instrumentos que foram aprovados pela Câmara, como fundo garantidor, créditos fiscais e incentivos para pesquisa e desenvolvimento.

Limitações propostas ao novo conselho

A proposta aprovada pela Câmara prevê que o CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos) e a ANM (Agência Nacional de Mineração) possam homologar operações sensíveis por meio de um mecanismo de triagem.

Isso envolve mudanças no controle societário, participação estrangeira relevante e contratos internacionais relacionados à mineração. No entanto, no substitutivo apresentado por Wilder, a palavra “homologar” foi alterada para “registrar e acompanhar”.

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Essa mudança é significativa, pois enquanto homologação implica uma aprovação formal do governo, o registro e acompanhamento permitem apenas que o governo monitore as operações sem exigir consentimento direto.

Contudo, a eficácia prática desse conselho ainda dependerá da regulamentação que será estabelecida pelo Poder Executivo. O parecer não especifica todas as informações que devem ser apresentadas nem os prazos para análise das operações. Essa falta de clareza gerou preocupações entre os senadores sobre o risco de uma redação menos intrusiva se transformar em um mecanismo amplo de interferência nos investimentos privados.

Poderes do conselho permanecem robustos

Apesar das modificações propostas, o poder do CI – MCE não será reduzido. Ele continuará vinculado à Presidência da República e terá autoridade para definir quais minerais são considerados críticos ou estratégicos, além de aprovar planos nacionais e selecionar projetos prioritários.

O colegiado também irá estabelecer diretrizes sobre as ZPTM (Zonas de Processamento de Transformação Mineral) e os requisitos mínimos necessários para que empresas acessem recursos do FGAM (Fundo Garantidor da Atividade Mineral.

A proposta mantém algumas similaridades com o texto aprovado na Câmara em relação aos incentivos econômicos. Ela prevê a criação do FGAM com uma participação da União limitada a R 2 bilhões. Além disso, está previsto um crédito fiscal de até 20% dos gastos com beneficiamento mineral entre 2030 e 2034, totalizando até R 5 bilhões.

Novo cenário legislativo

A nova movimentação surpreendeu representantes do setor privado e deputados envolvidos na elaboração do PL 2.780/2024. As negociações estavam focadas nas modificações que seriam realizadas pelos senadores nesse projeto. Agora, com uma proposta própria em tramitação no Senado, surgem diferenças significativas em relação aos poderes do conselho e às regras sobre exportações.

O PL 4.443/2025 tramita em caráter terminativo na CI; se aprovado sem recurso para votação no Plenário, seguirá diretamente para a Câmara dos Deputados. Isso significa que qualquer alteração feita pelos deputados terá que ser reavaliada pelos senadores antes da sanção final.

Assim, nesse processo legislativo paralelo, o Senado busca reforçar seu papel nas decisões sobre a política nacional dos minerais críticos.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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