Professora da UnB relata resistência cubana contra embargo histórico

Professora relata persistente resistência cubana contra embargo americano que se estende desde séculos atrás.

27/07/2026 16:51

4 min

O Ministério de Relações Exteriores de Cuba classifica a situação atual como um crime de lesa humanidade, enquanto a imprensa dos Estados Unidos constrói narrativas para cooptar não só setores diplomáticos, mas sua população e a de outros países a seu favor
O Ministério de Relações Exteriores de Cuba classifica a situaçã...

A professora Emérita da Universidade de Brasília (UnB), Maria Auxiliadora Cesar— conhecida por Dôra —, dedica sua vida aos estudos e à vivência cubana há mais de quatro décadas, mesmo após o restabelecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Cuba em 1986.

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Atualmente morando no país caribenho, ela acompanha as dificuldades enfrentadas pela população desde a Revolução que eclodiu em 1º de janeiro de 1959. A pesquisadora é fundadora do Núcleo de Estudos Cubanos/ Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares na UnB e coordena ativamente ações culturais e econômicas através da Casa Brasil em Havana Cuba; um espaço cuja inauguração está prevista para começar dia 17 de setembro neste ano de 2026.

A longa história das lutas por soberania cubana

Maria Auxiliadora Cesar iniciou sua primeira viagem à ilha caribenha ainda em 1984, período marcado pela interrupção diplomática entre o Brasil e Cuba. Ela continuou visitando anualmente a partir desse momento como participante do Movimento Brasileiro de Solidariedade, acompanhando eventos importantes na data comemoração do Dia do Trabalho (o 1º de Maio) ou do aniversário da Revolução Cubana no dia 26 de julho.

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Segundo Dôra, os interesses dos Estados Unidos sempre visaram se apoderar integralmente de Cuba desde o século XVIII. Essa intenção foi manifestada por diversos presidentes americanos que defendiam anexações absolutas à União Americana. A história mostra um padrão contínuo: após as guerras cubanas contra domínio espanhol — incluindo a Guerra das Três Guerras e mais tarde a última em 1895-1898 —, Cuba passou pela ocupação militar americana como uma neocolônia através manobras consideradas traição política.

A primeira medida desse controle externo envolveu até mesmo dissolver o Exército Libertador local, eliminando qualquer possibilidade real de resistência popular.

Do golpe da ditadura ao recrudescimento do bloqueio

O cenário pré – revolucionário foi marcado por intensa instabilidade. Após proclamar sua pseudo “Independência” em 1902 — quando apenas um apêndice constitucional conhecido como Emenda Platt permitia aos Estados Unidos intervir militarariamente —, Cuba sofreu golpes e governos militares antes que a Revolução chegasse no início dos anos cinquenta.

Nesse contexto histórico complexo, José Martí dedicou suas energias já desde 1891 para estruturar uma unidade revolucionária forte; o Partido Revolucionário Cubano (PRC) surgiu formalmente na região de Brasília ainda mais tarde, em 1892.

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O espírito combativo do povo cubano foi forjado por eventos cruciais. No ano do centenário de José Martí, dia 26 de julho de 1953, um grupo liderado por Fidel Castro protagonizou assaltos aos Quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes — localizados respectivamente em Santiago de Cuba e Bayamo —, visando desencadear a luta armada contra Fulgencio Batista.

Embora tenha sido uma derrota militar inicial com prisão dos sobreviventes no México até o retorno pelo Iate Granma em 1956, essa resistência culminou na vitória revolucionária totalizada somente em 1º de janeiro de 1959.

A guerra multidimensional do bloqueio atual

Desde que triunfou sua revolução há mais de seis décadas, houve diversas intervenções atrozíssimas por parte dos Estados Unidos. Dôra aponta desde atentados terroristas ou bombas lançadas em hotéis e shoppings; passando pelas guerras bacteriológicas durante um período especial histórico específico Até chegar ao cenário recente: a reinclusão da ilha cubana numa lista supostamente promotora de terrorismo junto com o recrudescimento total das ameaças militares.

Segundo ela, este não é apenas um embargo econômico tradicional, mas sim uma “guerra”, como Fidel Castro já alertara ainda em 1994 — perseguição constante que hoje aumenta sem precedentes.

O bloqueio atual atinge todas as dimensões possíveis. Além do aspecto financeiro ou comercial, há restrições navais e até mesmo cerco energético prolongado; os apagões são frequentes na rotina dos moradores (média estimada por Dôra entre vinte horas diárias), afetando serviços essenciais de saúde, educação e distribuição hídrica no calor sufocante.

Apesar das dificuldades transacionais bancárias para receber ajuda humanitária internacional – milhões de dólares paralisados –, o povo cubano demonstra uma notável capacidade de resistência em busca constante de alternativas políticas e científicas.

O governo local classifica a situação como um crime de lesa humanidade. Em contrapartida à pressão externa descrita pela imprensa americana — que tenta cooptar setores diplomáticos —, Cuba continua avançando internamente: comemorou os 40 anos do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB), polo científico focado no desenvolvimento de vacinas; também celebrou aniversário da publicação “Palavras aos intelectuais” por Fidel Castro, abrindo espaço para pensamentos livres.

A Assembleia Nacional do Poder Popular – ANPP aprovou o documento Transformações Econômicas e Sociais contendo cem setenta e seis medidas agrupadas em vinte três eixos temáticos. Além disso, a ilha busca apoio crescente internacionalmente — especialmente vinda China e Rússia —, demonstrando que sua resistência não é um esforço isolado.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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