Povos da Idade do Gelo preferiam caçar mamutes fêmeas, revela pesquisa genética

A pesquisa sugere que a preferência por mamutes fêmeas pode estar ligada ao comportamento social dos animais e à facilidade de caça em rebanhos matriarcais.

Réplica em tamanho real de um mamute lanudo em exibição no Museu Americano de História Natural, em Manhattan, EUA 8 de novembro de 2023

Uma nova pesquisa revela que os povos da Idade do Gelo, que habitavam a Eurásia e a América do Norte, tinham uma preferência marcante na caça de mamutes– lanosos. Os estudos mostram que esses animais eram altamente valorizados por fornecerem carne, gordura e materiais para confecção de roupas e ferramentas.

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Os cientistas analisaram dados genéticos de ossos encontrados em 11 sítios na Polônia, Áustria, República Tcheca, Alemanha e Rússia, concluindo que as fêmeas eram o principal alvo desses caçadores.

Cerca de 70% dos ossos de mamutes coletados nesses locais pertenciam a fêmeas, enquanto apenas 30% eram de machos. Em ambientes naturais, a situação se invertia: 66% dos ossos eram de machos e 34% de fêmeas. Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores utilizaram DNA antigo de 521 mamutes que viveram nos últimos 50 mil anos.

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Preferência por fêmeas e suas implicações

A diferença na proporção entre os sexos levanta questões interessantes sobre os hábitos de caça desses povos pré – históricos. “Essa é uma ótima pergunta, e que ainda estamos investigando ativamente”, afirmou Hannah Moots, pesquisadora de pós – doutorado do Centro de Paleogenética.

Ela destacou que um possível motivo para essa preferência seria o comportamento social dos mamutes – lanosos.

Moots sugere que se esses mamíferos viviam em rebanhos liderados por fêmeas, como acontece com os elefantes modernos, isso poderia facilitar a localização das manadas pelos caçadores. Os rebanhos matriarcais tenderiam a se mover por áreas previsíveis, tornando mais simples para os caçadores traçarem estratégias eficazes durante a caça.

“As fêmeas geralmente eram menores que os machos e poderiam ser mais fáceis de abater”, completou Love Dalén, geneticista evolutiva e coautora do estudo. Os machos adultos chegavam a pesar até 6 toneladas e medir cerca de 3,4 metros na altura dos ombros, enquanto as fêmeas pesavam cerca de 4 toneladas e tinham em média 2,9 metros.

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Táticas de caça e locais históricos

Os povos que habitavam essas regiões não se limitavam à caça apenas dos mamutes; eles também eram nômades que coletavam plantas e caçavam outros animais como rinocerontes – lanosos e bisões. Vestígios encontrados em alguns sítios mostram evidências claras da prática da caça em grupo. “Acho que os humanos antigos provavelmente utilizavam o terreno a seu favor para imobilizar os mamutes antes do ataque”, disse David Díez – del – Molino, geneticista evolutivo coautor do estudo.

O maior sítio estudado foi Cracóvia Spadzista, no sul da Polônia, datado entre 25 mil e 30 mil anos atrás. Este local contém restos de mais de 100 mamutes junto com ferramentas de pedra utilizadas pelos caçadores.

A extinção dos mamutes

A extinção dos mamutes na América do Norte e na Eurásia ocorreu há cerca de 10 mil a 12 mil anos devido ao aquecimento climático que transformou pradarias abertas em florestas densas. O papel dos seres humanos nesse processo ainda gera debates entre especialistas.

Os últimos mamutes sobreviveram até cerca de 4 mil anos atrás na Ilha de Wrangel, um remoto posto avançado na Sibéria.

No novo estudo, um achado curioso foi identificado: um mamute da Ilha de Wrangel apresentava uma condição genética chamada “mosaicismo X 0/XX”, resultando em características biológicas intermediárias entre macho e fêmea. Hannah Moots observou que não está claro se essa condição tem relação com o tamanho reduzido da população ou se é um evento isolado no desenvolvimento dos mamutes.