Pombagira: a força feminina que inspira Anitta em Equilibrivm II

Anitta destaca a Pombagira como símbolo de emancipação feminina, ressignificando sua força e autonomia em seu novo projeto musical, “Equilibrivm II”.

Anitta surgiu fumando em clipe de “Desgraça”

A Pombagira, frequentemente vista como uma figura ligada apenas à sedução e sexualidade, possui um papel muito mais amplo nas religiões afro – brasileiras. Para sacerdotes e estudiosos dessas tradições, essa associação limitada é fruto de estigmas históricos que reduziram a imagem dessa entidade a aspectos superficiais, ignorando sua representação de liberdade, autonomia e força feminina.

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O arquétipo da mulher livre ganhou novo destaque com o lançamento do projeto “EQUILIBRIVM II”, da cantora Anitta. Através de referências à força feminina na sua narrativa estética e musical, Anitta apresenta uma entidade que guia a artista em uma jornada de autoconhecimento, oferecendo conselhos sobre coragem, liberdade e transformação.

Nas práticas de diversas tradições afro – brasileiras, a Pombagira é reconhecida por atuar em questões como justiça, proteção espiritual e fortalecimento da autoestima. Embora também aborde temas de afetividade e sexualidade, esses elementos representam apenas uma fração de sua atuação.

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Alexandre Meireles, babalorixá do terreiro de Umbanda Círculo de Irradiações Espirituais São Lázaro, destaca que a origem da entidade ajuda a entender como os estereótipos foram formados ao longo do tempo. “No candomblé de rito Congo – Angola existem os inquices (nkisi), divindades que se assemelham aos orixás.

Um deles é ‘Bombo Njila’, que se aproxima muito da energia de Exu na África. Isso pode ter contribuído para a associação com o ‘Exu mulher’. Além disso, no Nordeste, a palavra ‘pomba’ era usada para designar prostitutas, o que levou ao nome Pombagira”, explica ele.

A Pombagira como símbolo de emancipação feminina

Meireles vê a Pombagira como um arquétipo que representa a emancipação feminina e desafia padrões impostos historicamente às mulheres. “Ela simboliza a mulher livre, dona do próprio corpo e destino, incluindo sua própria sexualidade. Representa ousadia e atributos frequentemente reprimidos pelo patriarcado”, afirma o sacerdote.

Essa visão ajuda a explicar as reações intensas que a entidade provoca — tanto devoção quanto preconceito. Ao encarnar uma mulher que toma suas próprias decisões, a Pombagira desafia estruturas sociais que tentaram controlar o comportamento feminino ao longo da história.

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A imagem da Pombagira tem sido reforçada pela cultura popular em filmes e novelas, onde frequentemente aparece como uma entidade voltada para amarrações amorosas ou sedução. Especialistas em religiões afro – brasileiras argumentam que essa representação ignora as diversas manifestações da entidade e perpetua estereótipos sobre a Umbanda e outras tradições africanas. “Limitar a Pombagira à energia sexual é desconsiderar sua verdadeira mensagem”, afirma Meireles. “Ela fala sobre potência e liberdade feminina.”

Para muitos fiéis, mais do que um símbolo de sensualidade, a Pombagira representa coragem, autonomia e proteção. Sua força reside na lembrança de que liberdade é uma dimensão sagrada.