Polícia da Espanha utiliza bombas de fumaça contra migrantes em Ceuta durante conflito intenso
A crise migratória em Ceuta intensifica tensões políticas na Europa, com autoridades espanholas e marroquinas reforçando a segurança na fronteira.
Um intenso conflito entre a polícia espanhola e milhares de migrantes ocorreu em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, nesta sexta – feira (31). Bombas de fumaça foram utilizadas enquanto veículos da Guarda Civil se posicionavam próximos à passagem, com uma multidão correndo em busca de atravessar.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ao menos 34 pessoas perderam a vida durante os tumultos.
O Ministério do Interior da Espanha estimou que mais de 49 mil pessoas conseguiram cruzar a fronteira ilegalmente em apenas um dia. No entanto, essa informação foi rapidamente removida do site oficial sem explicações. Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano e frequentemente enfrentam picos de tentativas de travessia por migrantes que buscam chegar à Europa.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Porém, o número de pessoas tentando entrar na última quinta – feira (30) foi considerado sem precedentes.
Dimensionamento da crise migratória
De acordo com o Ministério do Interior espanhol, aproximadamente 49 mil migrantes chegaram ao enclave de Ceuta nas últimas 24 horas vindos de Marrocos. O líder do governo local, Juan Jesús Vivas, informou que esse número pode ultrapassar os 60 mil nos últimos dias, representando mais da metade da população total do enclave.
Na tentativa de conter a situação, as autoridades espanholas e marroquinas reforçaram a segurança na cerca fronteiriça. A travessia em massa provocou divisões internas na Europa, levando a Itália a considerar suspender o programa de fronteiras abertas dentro da União Europeia.
Nos portões de entrada de Ceuta, as forças marroquinas utilizaram caminhões equipados com canhões de água para dispersar os migrantes. Os vestígios dos confrontos podem ser vistos nas proximidades, incluindo um ônibus e sete carros carbonizados.
Leia também
Ações do governo espanhol
As autoridades afirmaram que buscarão expulsar rapidamente aqueles que entraram ilegalmente no território espanhol. Contudo, uma decisão judicial recente impôs novas restrições às regras especiais que permitem expulsões imediatas na fronteira.
O primeiro – ministro se reuniu com o ministro do Interior, Fernando Grande – Marlaska, para discutir as medidas a serem adotadas.
O ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, comentou que um dos fatores para o aumento das tentativas de travessia pode ter sido uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha que impede a devolução sumária dos migrantes interceptados no mar.
Ele ressaltou que o governo agiu prontamente e respeitará as decisões judiciais e os direitos dos migrantes.
Tentativas frustradas no lado marroquino
No lado marroquino da fronteira, muitos migrantes invadiram a cidade de Fnideq durante a noite anterior aos conflitos em Ceuta. Apesar do aumento na segurança, muitos ainda tentavam encontrar rotas alternativas para cruzar a cerca.
Brahim, um migrante de 32 anos que chegou de Tânger, expressou frustração ao encontrar os portões quase fechados: “Cheguei atrasado”, disse ele. Entre os que buscavam atravessar estavam mulheres e crianças provenientes tanto do Marrocos quanto de países africanos ao sul do deserto.
A associação da Guarda Civil espanhola (AUGC) revelou em uma publicação na rede social X que havia poucos policiais disponíveis para monitorar a cerca durante o fluxo intenso migratório na quinta – feira (30), dificultando sua capacidade de contenção.
Grupos locais voltados ao apoio aos migrantes também emitiram um comunicado exigindo uma revisão profunda das políticas migratórias para garantir respeito à dignidade e aos direitos humanos dos que chegam a Ceuta. Eles ressaltaram ainda a insuficiência dos recursos disponíveis no enclave.