Pesquisadores da USP descobrem nova variante genética ligada a doença neurológica em crianças

Pesquisadores da USP revelam nova variante genética que pode explicar a rara síndrome CONDSIAS, afetando crianças. Descubra os detalhes dessa descoberta

photo-1-e1779826494839

Nova Variante Genética Identificada por Pesquisadores da USP

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram uma nova variante genética que pode explicar uma doença neurológica em crianças. A condição, conhecida como CONDSIAS, que em inglês significa “neurodegeneração infantil induzida por estresse com ataxia e convulsões”, foi descrita pela primeira vez em 2018 e identificada apenas uma vez na América do Sul.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O estudo foi publicado com o apoio da Fapesp.

Os sintomas da CONDSIAS incluem dificuldade de coordenação motora (ataxia), atraso no desenvolvimento e degeneração progressiva do sistema nervoso. Um dos aspectos mais marcantes da síndrome é a acentuação dos sintomas após infecções virais, como gripe, herpes e Covid-19.

Essas doenças provocam estresse fisiológico, uma resposta imunológica natural que pode agravar a condição.

Análise de Caso e Desafios na Pesquisa

O caso analisado pelos pesquisadores da USP envolveu uma menina de 11 anos que apresentava sintomas típicos e possuía duas variantes do gene ADPRS (ADP-ribosilserina hidrolase), localizado no cromossomo 1. Uma das variantes já era conhecida por causar a doença, enquanto a outra era inédita e sua relevância clínica ainda não havia sido determinada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O principal desafio foi estabelecer a relação entre essas variantes e a síndrome.

“Ao analisar o DNA de um paciente, é comum encontrar mais de uma variante rara”, explica Nicolas Carlos Hoch, professor do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP e coordenador do estudo. “A dúvida é se aquela variante explica os sintomas do paciente ou não”, complementa.

Leia também

Hoch também destaca que o avanço das tecnologias de sequenciamento genético facilitou a descoberta, permitindo diagnósticos moleculares mais precisos.

Investigação de Estratégias Terapêuticas

A pesquisa também busca investigar possíveis estratégias terapêuticas. Os cientistas identificaram que a proteína ARH3 atua como um “apagador molecular”, removendo uma modificação química chamada ADP-ribosilação, que as células utilizam como um sinal temporário de problemas, como danos ao DNA.

Sem a ARH3, esse sinal permanece acumulado, comprometendo o funcionamento celular, especialmente nos neurônios, que são mais sensíveis a desequilíbrios moleculares.

A síndrome ainda não possui tratamento definido, o que levou os pesquisadores a explorar possíveis abordagens terapêuticas. A partir da análise do mecanismo da doença, eles identificaram que uma estratégia viável seria reduzir a formação da ADP-ribosilação desde o início.

Os pesquisadores estão investigando o uso de um antibiótico que inibe a atividade da PARP, a enzima responsável por iniciar a ADP-ribosilação, embora os estudos ainda estejam em andamento.