O ministro da Educação afirma que há intenção de modificar o Fundeb, porém, defende que não se trata de cortes de recursos

O ministro da Educação, Camilo Santana, declarou na terça-feira (10.jun.2025) que sua equipe analisa alterar as normas do Fundeb, visando assegurar um aumento dos recursos federais a estados e municípios que apresentem melhores desempenhos no cenário educacional.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O ministro declarou ter debatido internamente a necessidade de implementar uma avaliação de resultados no Fundeb, considerando que o fundo atualmente se baseia primordialmente no número de alunos. A afirmação foi feita ao jornal Folha de S. Paulo após participar de um evento da Faap, em São Paulo.
A qualidade da nossa aprendizagem está muito além do que desejamos. Assim, acredito que a melhor mensuração para os recursos do Fundeb é o resultado de aprendizagem, o resultado do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], declarou.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O Ideb é um indicador de 0 a 10, calculado com base nos dados de aprovação escolar (coletados pelo Censo Escolar) e nas médias no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que avaliam o desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática. É uma das principais ferramentas para medir o desempenho das escolas públicas brasileiras.
O Ministério da Fazenda analisa enviar ao Congresso uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) visando alterar as normas dos repasses do governo federal para o Fundeb e consolidar os valores mínimos da saúde e da educação. O fundo é o principal instrumento de financiamento da educação básica no país.
A União pretende manter o percentual de destinação de recursos para o fundo de educação básica nos níveis atuais, em 21% sobre o investimento de estados e municípios. Em 2025, o orçamento federal será de R$ 58,8 bilhões, representando um aumento de 18,3% em comparação com 2024. Em 2026, esse percentual deverá ser de 23%, caso a regra não seja modificada.
O ministro afirmou não ter sido chamado para debater, apenas acompanhou a situação pelos jornais. Ele reiterou sua posição contrária a qualquer alteração, tanto no que diz respeito ao Fundeb quanto ao piso.
Leia também
As duas medidas eram consideradas no pacote para compensar as alterações que foram realizadas no decreto que elevou a cobrança de IOF.
Entretanto, na reunião de domingo (8 de jun) que contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não se chegou a um consenso sobre o assunto.
Aprovando uma Proposta de Emenda Constitucional sobre o tema se mostra complexo, sobretudo em período pré-eleitoral. Dada a natureza de alteração na Constituição, é necessária a concordância de 3/5 dos parlamentares e a aprovação em duas votações em cada Casa legislativa. Contudo, o Palácio do Planalto tem a intenção de dar início ao debate.
Santana declarou que seria importante alocar mais investimentos, ao mesmo tempo em que admitiu a necessidade de elevar a qualidade da educação básica.
A complementação da União atualmente não é pequena, somando mais de R$ 50 bilhões neste ano. Contudo, não há um retorno na qualidade dos resultados da educação. Precisamos realizar essa discussão para assegurar melhores resultados.
.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



