“Ninguém diz o que vamos fazer”, afirma Lula sobre tarifas dos EUA na véspera do tarifaço

A imposição de tarifas pelos EUA gera apreensão no Brasil, que se torna o segundo país mais afetado, impactando diretamente o setor produtivo e as exportações.

19.06.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), em Divinópolis – MG. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O Brasil se tornará um dos países mais impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, ficando apenas atrás da China nesse ranking. A nova medida elevará o país da 13ª para a 2ª posição, pelo menos até o dia 25 de julho, quando uma taxa específica de 10% deixará de existir conforme a legislação americana.

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Atualmente, a tarifa média aplicada aos produtos chineses é de 27%, enquanto a tarifa brasileira ficará um pouco acima de 18%.

A aplicação dessa nova tarifa foi anunciada em 1º de junho. Desde então, o setor produtivo brasileiro tem se mobilizado intensamente, realizando audiências públicas nos Estados Unidos sob a condução do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.

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Esse escritório é responsável por investigar práticas comerciais consideradas injustas conforme a Seção 301 da legislação americana sobre comércio internacional.

Justificativas e alegações dos EUA

Entre as razões apresentadas pelos Estados Unidos para a imposição da tarifa está o que eles chamam de “práticas desleais” no Brasil. O governo americano menciona que o desmatamento na Amazônia teria permitido que fazendeiros brasileiros operassem com custos inferiores aos dos produtores americanos, que precisam cumprir normas ambientais mais rigorosas.

Além disso, os EUA alegam que essa prática prejudicou o mercado das bandeiras de cartões de crédito americanas no Brasil.

Em resposta às acusações, o governo brasileiro apresentou dados mostrando que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado tem diminuído nos últimos anos. Também apontou que as bandeiras americanas continuaram crescendo no Brasil durante a implementação do PIX e que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o país.

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Impactos econômicos e reações do setor produtivo

O setor produtivo brasileiro observa com preocupação as novas tarifas. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) informou que 20 dos 27 estados já registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano. A tendência é de piora com a nova tarifa de 25%.

A Amcham Brasil estimou que mais de US 11 bilhões em exportações brasileiras poderão ser afetadas, representando cerca de 26% do total vendido ao mercado norte – americano.

A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) destacou que os efeitos vão além das vendas diretas; as tarifas aumentam a insegurança no comércio internacional e podem desestimular investimentos. Isso pode resultar em impactos negativos na produção e no emprego no Brasil.

Reação do governo brasileiro

Após a confirmação das tarifas, na madrugada entre quarta e quinta – feira passada (15 e 16), o governo brasileiro adotou uma postura inicial agressiva, considerando acionar mecanismos previstos na lei da reciprocidade econômica. No entanto, esse discurso foi suavizado ao longo do dia.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não se deve falar em retaliação, mas sim em reciprocidade, enfatizando que a questão seria avaliada com cautela.

O setor produtivo manifestou – se contra qualquer tipo de retaliação por parte do governo brasileiro, temendo uma escalada na situação. De acordo com resultados preliminares da investigação do USTR, uma retaliação poderia ser interpretada como um sinal de que as tarifas não tiveram o efeito desejado sobre as práticas comerciais brasileiras.

Nos próximos dias estão previstas reuniões entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e representantes do setor produtivo para discutir possíveis respostas do governo às novas tarifas americanas e formas de apoio aos setores mais afetados pela medida.