Não é falta de recursos, é escolha política: Conferência debate financiamento no RJ
Financiamento reduzido compromete avanços na luta contra HIVAIDS, gerando preocupações sobre futuro do combate à epidemia global.
A 26ª Conferência Internacional de Aids, principal evento mundial sobre a temática em saúde pública, acontece no Rio de Janeiro até esta sexta – feira, dia 31. Contudo, os avanços conquistados na luta contra HIVAIDS enfrentam um cenário preocupante devido à retração do financiamento internacional.
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De acordo com dados divulgados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIVAids (Unaids), recursos destinados ao combate à epidemia sofreram uma queda expressiva entre 30% e 40%, comparado aos valores disponíveis para o orçamento em 2023 já foram registrados durante o ano de 2025.
Paralelamente a essa redução orçamentária global, houve também uma diminuição inédita de 23% no apoio financeiro externo destinado ao desenvolvimento na área da saúde.
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O desafio político: Financiamento versus Ciência
Essa crise financeira compromete programas vitais que envolvem prevenção, tratamento médico avançado, pesquisa científica e iniciativas lideradas pelas comunidades locais. Juliana César, coordenadora de articulação política, relações internacionais e comunicação da Gestos, alertou sobre um risco iminente de reversão das décadas de progresso alcançado mundialmente em relação à Aids.
“Não é por falta de solução científica ou avanço dos medicamentos; o problema reside numa escolha puramente política aliada pela carência de financiamentos,” afirmou a especialista ao programa É de Manhã, veiculado na Rádio Brasil de Fato.
Segundo ela, as ferramentas para erradicar completamente a AIDS como ameaça global até 2030 já existem. A tecnologia médica atual torna os casos intransmissíveis quando há uso regular da medicação antirretroviral pelos pacientes. O que está faltando não seria recurso técnico algum: “O que está faltando é responsabilidade política e alocação adequada desses recursos.”
Juliana César enfatizou ainda o déficit financeiro sistemático reconhecido pelas Nações Unidas em cerca de US 3 bilhões por ano. Ela apontou também uma onda conservadora crescente no cenário mundial atacando grupos vulneráveis — mulheres, pessoas usuárias de drogas ou organizações comunitárias —, justamente aqueles com a capilaridade necessária para levar respostas onde nem sempre chega ação estatal.
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A importância do SUS diante dos desafios globais
Em meio à retração global, os avanços históricos mostram um quadro positivo: desde 2010 houve queda nas mortes relacionadas ao HIVAIDS (56%), e as novas infecções foram reduzidas significativamente em 43%. Atualmente, mais de 32 milhões de indivíduos têm acesso garantido aos tratamentos antirretrovirais no mundo.
Esse número representa o equivalente a quase três quartos — ou seja, 78% —, das cerca de 40,9 milhões pessoas afetadas pelo vírus.
Apesar do cenário internacional desafiador, Juliana César destacou ainda hoje na Rádio Brasil de Fato que há exemplos importantes dentro do país: ela ressaltou como é crucial para um gigante continental como o Brasil conseguir garantir uma resposta integral ao HIV através da oferta e busca por medicamentos pelos canais estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS.
“O SUS tem conseguido oferecer os remédios mais recentes e eficazes,” criticou. Ela apontou também a dificuldade em obter medicações avançadíssimas devido à ganância das farmacêuticas, empresas que continuam praticando valores absurdos.
A conferência internacional no Rio reforça essa discussão sobre responsabilidade política versus capacidade científica disponível na luta contra esta epidemia globalmente relevante até 2030.