Mulher de 41 anos morre após colonoscopia em SP: família suspeita de erro médico

A investigação sobre a morte de Mariana dos Santos Candido busca esclarecer as circunstâncias do incidente e possíveis falhas no procedimento realizado.

Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Neto (Ermelino Matarazzo)

Uma mulher de 41 anos, chamada Mariana dos Santos Candido, faleceu na quarta – feira (29) após ter o intestino perfurado durante uma colonoscopia. O exame ocorreu no pronto – socorro do Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, localizado em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo.

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A famíliasuspeita que a morte pode ter sido causada por erro médico e registrou um boletim de ocorrência.

O caso foi registrado como morte suspeita no 62º Distrito Policial e o corpo de Mariana foi enviado ao Instituto Médico Legal (IML) para necropsia. Em nota à CNN Brasil, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) expressou pesar pela perda e informou que a direção do hospital está à disposição da família.

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Além disso, o órgão ressaltou que as circunstâncias da morte estão sendo investigadas em colaboração com a chefia de endoscopia e cirurgia da unidade.

Riscos associados à colonoscopia

A perfuração intestinal é uma complicação rara, mas pode ocorrer durante a colonoscopia, conforme explica o coloproctologista Danilo Munhóz. Embora seja um procedimento geralmente seguro, ele não é isento de riscos. Complicações possíveis incluem sangramentos, reações adversas à sedação e perfurações intestinais.

Uma revisão feita pela Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal indica que a taxa de perfuração é de aproximadamente 5,8 por cada 10 mil colonoscopias realizadas. Essas lesões podem resultar de diversas causas, como pressão do aparelho sobre a parede intestinal ou distensão necessária para permitir uma melhor visualização do cólon.

Munhóz enfatiza que identificar rapidamente uma perfuração pode abrir diferentes possibilidades de tratamento. A abordagem varia conforme o tamanho da lesão e as condições clínicas do paciente, podendo incluir desde técnicas endoscópicas até cirurgia.

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Entretanto, ele alerta que a ocorrência de uma complicação não implica necessariamente em erro médico.

A importância da sedação e monitoramento

Outro ponto destacado pelo especialista é a sedação utilizada durante o exame. Este procedimento é fundamental para proporcionar conforto ao paciente, mas requer cuidados rigorosos. A escolha dos medicamentos e o nível de sedação devem considerar fatores como idade e condições médicas pré – existentes.

Complicações relacionadas à sedação podem ser respiratórias ou cardiovasculares, levando a problemas como redução da oxigenação ou queda da pressão arterial. Por isso, Munhóz ressalta a necessidade de avaliação clínica prévia e monitoramento contínuo durante toda a realização do exame.

Continuidade na realização do exame

Apesar deste trágico incidente chamar a atenção para os riscos envolvidos, Munhóz defende que isso não deve desencorajar a população a realizar colonoscopias quando indicado pelos médicos. O exame é crucial não apenas para visualizar o intestino grosso, mas também para realizar biópsias e retirar pólipos que poderiam evoluir para câncer.

No protocolo brasileiro do Sistema Único de Saúde (SUS), pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos devem fazer inicialmente um teste imunoquímico fecal e são encaminhadas para colonoscopia caso haja alterações nos resultados. O exame também é recomendado para aqueles com sintomas como sangue nas fezes ou histórico familiar de câncer colorretal.

A segurança e os benefícios da colonoscopia dependem da seleção correta dos pacientes e das condições adequadas para sua realização. Munhóz finaliza afirmando que os riscos associados são raros quando considerados em relação à importância do exame na prevenção e diagnóstico precoce das doenças intestinais.