Muitos se opõem ao aborto, porém silenciavam sobre casos de abuso, afirma ministra

Macaé Evaristo critica projeto que classifica ato como homicídio.

Entrevista exclusiva da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo ao Poder360 | Sérgio Lima/Poder360 - 17.09.2024

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, criticou o silêncio de grupos opostos ao aborto legal em face de casos de violência sexual. A afirmação foi feita em entrevista publicada na revista Veja nesta sexta-feira (18.jul.2025).

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Muitas pessoas se opõem ao aborto legal, porém permanecem em silêncio diante de abusadores, que frequentemente estão no ambiente familiar, declarou Evaristo ao comentar o projeto de lei que equipara o aborto ao crime de homicídio.

A ministra argumentou que o Estado brasileiro é laico e deve priorizar a dignidade humana em detrimento de posições religiosas. Segundo ela, assuntos de conteúdo moral possuem apelo eleitoral por apresentar soluções fáceis para questões complexas, porém não são sustentáveis a longo prazo.

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Evaristo vinculou a intolerância com a população LGBTQIA+ à legitimação da violência. “A intolerância leva a um Estado que mata. No Brasil, pessoas trans são assassinadas com crueldade. Quando desumanizamos grupos, legitimamos sua morte”, declarou.

O debate sobre o endurecimento das penas no sistema penal tem gerado intensos questionamentos e controvérsias, suscitando preocupações sobre seus possíveis impactos e consequências.

A ministra se opôs ao endurecimento das leis penais e ao armamento da população. “Em vez de prevenção e melhoria da qualidade de vida, ampliamos políticas repressivas”, declarou.

Evaristo destacou contradições no discurso punitivo: “Muitos defendem que bandido bom é bandido morto, mas defendem ressocialização quando ocorre em seu ambiente familiar”.

Regulação digital e violência online.

A ministra declarou que a misoginia e o racismo são explorados por grupos que se beneficiam com violência e discursos de ódio. Ela ressaltou a necessidade de uma legislação que defina limites, sem comprometer a educação e a cultura digital.

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A tecnologia intensificou modalidades de violência, incluindo a sexualização infantil e a pornografia infantil, afirmou a ministra. “A escala é nova e, frequentemente, é impossível rastrear os responsáveis”, declarou.

Anistia e memória

Evaristo rejeitou sugestões de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. “Defendemos a anistia para aqueles que foram vítimas de um regime autoritário, mas atualmente se trata de indivíduos que atacaram o Estado democrático de direito”, declarou.

A ministra defendeu a importância de resgatar a memória, assegurar a reparação e o princípio da não repetição em relação às investigações de crimes cometidos durante a ditadura.

Fonte por: Poder 360