MST Apresenta Agroecologia como Solução Crítica ao Clima no RS

MST propõe agroecologia como alternativa urgente ao clima no Rio Grande do Sul diante crise energética.

23/07/2026 15:32

4 min

Mesa de debate sobre reforma agrária e ação climática reuniu pesquisadoras e lideranças do MST durante a Semana de Ação Climática de Porto Alegre, no Teatro Olga Reverbel
Mesa de debate sobre reforma agrária e ação climática reuniu pes...

Um debate sobre o futuro energético e alimentar do Rio Grande do Sul foi realizado na tarde desta quinta – feira, no Teatro Olga Reverbel, em Porto Alegre. O encontro reuniu pesquisadores de universidades como Ufrgs e UFSC, militantes dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) — incluindo Graciela Stornini – e especialistas que discutiram a importância da reforma agrária e produção agroecológica para enfrentar os desafios climáticos.

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O painel teve um pano de fundo crítico: as regiões carboníferas vizinhas Candiota e Hulha Negra, onde se concentra grande parte da mineração de carvão mineral gaúcho. Os participantes debateram o papel do setor na emergência climática enquanto analisavam alternativas sustentáveis no campo.

A disputa entre subsídios fósseis e energias renováveis

Durante a atividade — inserida em uma série sobre transição energética estadual —, foi levantada preocupação com os investimentos públicos destinados às fontes poluentes. O professor Emiliano Maldonado, moderador que é também advogado popular pela UFSC, apontou um projeto tramitando na Câmara dos Deputados para prorrogar por mais dez anos a utilização de carvão mineral sem cessar seus subsidios governamentais.

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Camila Dellagnese Prates detalhou o alto volume financeiro envolvido no último leilão nacional de energia elétrica realizado pelo país. Segundo ela, apenas a contratação via carvão superou R 1 bilhão; contudo, somando todas as outras modalidades energéticas, o total do certame ultrapassou os impressionantes R 60 bilhões em recursos públicos empregados.

Prates ainda citou um estudo que aponta uma disparidade preocupante: para cada real investido nas fontes renováveis brasileiras, dois reais e meio são direcionados às atividades baseadas em combustíveis fósseis. Esse custo é repassado à população através da conta mensal de eletricidade, já considerada entre as mais caras na América Latina.

Escassez hídrica e a pressão sobre Candiota

Os participantes do debate trouxeram evidências dos impactos ambientais diretos causados pela atividade carbonífera no município vizinho de Candiota. Graciela Stornini relatou que o local enfrenta ciclos recorrentes de escassez hídrica; nos últimos dez anos somente ele declarou tal situação em nove ocasiões distintas.

Segundo ela, apenas para resfriar os equipamentos das termelétricas instaladas há décadas é consumido um volume dágua equivalente ao dobro da demanda diária total do próprio município de Bagé. Além disso, houve relatos sobre a possível ampliação não documentada de reservatórios na região por empresas como Bionatur.

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Luiz Flávio Abreu (Kiki), morador antigo e militante no setor agroecológico, atribuiu à mineração o risco constante de contaminação dos lençóis freáticos locais. Ele explicou que o processo natural de fragmentação do carvão libera componentes químicos perigosos quando chove forte ou infiltra – se no subsolo durante períodos úmidos.

Identidade campesina versus desenvolvimento econômico

A discussão se expandiu para a vida das famílias assentadas na região da Campanha Gaúcha. A cooperativa “A…” foi apresentada como um exemplo pioneiro em produção exclusivamente de sementes e práticas agroecológicas, uma atividade mantida por cerca de três décadas pelas próprias comunidades rurais.

Essa trajetória começou após as empresas convencionais alegarem problemas com germinação do plantio feito pelos assentos originais, deixando os agricultores endividados apenas com insumos fornecidos pela indústria.

O engenheiro agrônomo Álvaro Delatorre abordou o conceito político – social que define essa realidade: ele definiu a identidade comum dos grupos ligados à terra — incluindo colonos e assentamentos da reforma agrária —, chamando esse grupo de campesinato.

Para él, é um elemento vital em contraste direto ao modelo predatório promovido pelo grande agronegócio brasileiro.

Disparidades regionais e vulnerabilidade social

Um estudo conduzido por Camila Prates aponta uma assimetria econômica entre Candiota e Hulha Negra na mesma área carbonífera do Rio Grande do Sul. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) seja elevado para a região vizinha – estimado perto dos R 2 bilhões –, essa riqueza está concentrada quase inteiramente no setor da atividade mineral de carvão.

Apesar disso, há grandes déficits em infraestrutura básica: segundo os dados apresentados pela pesquisadora, nem mesmo rede adequada de esgoto ou tratamento hídrico chega ao município.

Em paralelo à análise socioeconômica, Graciela Stornini também apresentou um guia sobre vigilância popular que mapeia as vulnerabilidades das comunidades atingidas pelas enchentes mais recentes na Região Metropolitana. O estudo aponta o fenômeno do racismo ambiental, onde populações quilombolas e assentamentos são desproporcionalmente afetadas por eventos climáticos extremos no estado.**

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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