MP de SP investiga abordagem da PM à diretora de escola após denúncia de discriminação racial

O inquérito civil do MP busca esclarecer a conduta da PM e possíveis responsabilidades do Estado em relação à abordagem da diretora da escola.

31/07/2026 19:10

3 min

Caso ocorreu em novembro de 2025
Caso ocorreu em novembro de 2025

O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para investigar a atuação da Polícia Militar na abordagem à diretora da EMEI Antônio Bento. A medida foi tomada após um pai denunciar uma atividade relacionada à cultura afro – brasileira na escola.

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O documento, assinado pelo promotor Bruno Orsini Simonetti na quarta – feira (29), aponta indícios de discriminação racial e intolerância religiosa, além de constrangimento à equipe gestora da instituição.

A investigação busca ainda apurar a responsabilidade civil do Estado no caso. O inquérito ressalta que a ação policial ocorreu fora das situações que justificariam uma abordagem tão intensa. Diligências preliminares indicaram que não houve crimes que justificassem a intervenção dos agentes de segurança pública.

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Contexto do caso

De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP – SP), o episódio foi investigado pela Polícia Civil e pela Polícia Militar na época. Em fevereiro deste ano, o inquérito civil foi encerrado pelo 34º DP e relatado ao Poder Judiciário, sem retorno à unidade policial.

Apesar da Corregedoria – Geral da Polícia Militar ter concluído pela desnecessidade de um Inquérito Policial Militar ou punição disciplinar, o MP decidiu instaurar um inquérito civil para aprofundar as investigações sobre discriminação e conduta institucional.

A SSP – SP confirmou que está colaborando com o Ministério Público, fornecendo todas as informações necessárias sobre o caso. A CNN Brasil tentou contato com a Polícia Militar para obter mais detalhes, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Relembre o caso

O incidente teve início em 12 de novembro de 2025, quando a Polícia Militar foi acionada após um pai acusar a escola de impor religião afro – brasileira às crianças. Na ocasião, a filha do homem havia desenhado uma entidade divina de matriz africana durante a aula.

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Os militares foram chamados após uma ligação do pai, que é também policial militar, reclamando que sua filha estava sendo forçada a participar das aulas.

No dia anterior ao ocorrido, o pai já havia visitado a escola para expressar seu descontentamento e teria agido de forma inadequada ao retirar do mural o desenho da Iansã feito por sua filha. No dia da abordagem policial, os agentes permaneceram na escola por mais de uma hora e deixaram o local por volta das 17h junto com o pai da aluna.

Após análise das câmeras corporais e depoimentos de testemunhas, a Polícia Civil indiciou o pai pelo crime de intolerância religiosa. O inquérito policial foi concluído em fevereiro de 2026 e relatado ao Judiciário.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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