Milei propõe reforma radical no Banco Central Argentino

O presidente da Argentina, Javier Milei, propôs nesta quinta – feira (30) mudanças profundas na estrutura operacional do Banco Central argentino (BCRA). O objetivo central é aumentar drasticamente a independência institucional do órgão monetário local com foco total em valorizar o peso nacional.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A reforma proposta altera diretamente a Carta Orgânica que rege as funções de autoridade monetária no país. Segundo informações divulgadas pelo próprio Governo presidencial, essa medida busca alinhar o modelo brasileiro ao adotado pela maioria dos bancos centrais globais e limitar rigorosamente qualquer uso da emissão fiduciária para cobrir despesas públicas estatais.
Principais pontos das reformas propostas
O projeto apresentado por Milei estabelece um mandato único: preservar exclusivamente o poder de compra da moeda argentina. Essa mudança representa uma reversão do foco dado à estabilidade financeira em 2012; antes disso, outras metas como emprego ou desenvolvimento econômico também eram consideradas objetivos institucionais.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Um ponto crucial é a proibição expressa de empréstimos concedidos ao governo nacional, às províncias nem aos municípios locais e até mesmo vetando compras diretas de títulos públicos no mercado primário para financiar diretamente as contas estatais.
Aumento na autonomia institucional. Para garantir maior independência administrativa, o texto exige que tanto os presidentes quanto os diretores do Banco Central precisem da aprovação qualificada dos dois terços em ambas as Casas Legislativas — Câmara dos Deputados e Senado. Atualmente, basta apenas a anuência do Senado Federal nesse processo decisório.
Além disso, haverá mudanças operacionais importantes; por exemplo, elevações contábeis geradas pela valorização de ativos como ouro ou câmbio não poderão mais ser transferidas ao Tesouro Nacional, devendo integrar reservas especiais exclusivas para pagamento direto da dívida pública.
Como funciona hoje no sistema financeiro argentino
A Carta Orgânica original foi criada na Argentina ainda em 1935 sob um modelo misto que envolvia o Estado junto com bancos privados parceiros. Ao longo das décadas seguintes — e é importante notar essa variação —, a legislação passou inúmeras vezes por modificações conforme as diferentes orientações econômicas dos governos sucessores do país.
Leia também
O Banco Central já teve sua missão alterada várias vezes: ele se nacionalizou totalmente em 1946, subordinou – se ao Ministério das Finanças desde 1949 e até flexibilizava seu financiamento direto às contas estatais após reformas de 2012 realizadas durante o governo Cristina Kirchner.
Comparação internacional
Em contraste com os movimentos da Argentina, no Brasil, há um modelo diferente. O BCB tem a função principal garantir tanto a segurança quanto a eficiência geral do sistema financeiro brasileiro; além disso, administra as reservas internacionais para atuar como banco dos bancos comerciais nacionais.
A grande distinção reside na meta primária: enquanto em Buenos Aires se busca redefinir papéis financeiros complexos, aqui é fundamental manter sob controle taxas inflacionárias por meio das políticas monetárias definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN.
Próximas etapas e o Congresso argentino
O projeto já foi encaminhado ao Congresso da Argentina nesta sexta – feira (31) de maio. Para que essas alterações entrem efetivamente no ordenamento jurídico do país, será obrigatória a aprovação pelos parlamentares legislativos. Se aprovado, este texto representará uma transformação significativa para a Carta Orgânica após quase quinze anos sem mudanças estruturais dessa magnitude.
A reforma faz parte de um pacote mais amplo anunciado em sequência; Milei também propôs regras permanentes de equilíbrio fiscal, ajustes na legislação dos seguros privados e modificações específicas sobre os mercados de capitais locais.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

![Receita Federal escala novos prazos para IBS e CBS na NF-e Banco [Nome] reporta prejuízo de R X](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fstatics.cliquefatos.com.br%2Fuploads%2F2026%2F07%2Freceita-federal-1-1-768x512.webp&w=256&q=65)

