Michigan enfrenta surto de ciclosporíase enquanto sofre com cortes de Trump
Michigan enfrenta dificuldades para conter o surto de ciclosporíase, agravado por cortes orçamentários que comprometem a resposta das autoridades de saúde.
Recentemente, o estado de Michigan, nos Estados Unidos, emitiu um alerta sobre um surto significativo de ciclosporíase, uma doença parasitária que tem causado diarreia entre os habitantes. O anúncio foi feito duas semanas antes de os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) emitirem alertas semelhantes, no dia 14 de julho.
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Este surto já afetou nove estados, com Michigan registrando mais de 8.100 casos até o momento.
A situação se agrava devido a cortes no financiamento federal e uma comunicação deficiente entre as agências federais e as autoridades locais. Para lidar com a crescente demanda, equipes estaduais e municipais estão recrutando voluntários e transferindo funcionários de outras áreas para investigar as causas do surto.
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Alimentos como alface embalada foram inicialmente associados à Taylor Farms e ao Taco Bell, mas as investigações continuam.
Desafios na resposta ao surto
A pressão sobre os serviços de saúde em Michigan é evidente. O estado possui atualmente 23 profissionais a menos na área de doenças infecciosas e 123 na saúde dos condados desde que os cortes orçamentários afetaram a sua estrutura. A doutora Natasha Bagdasarian, diretora médica executiva do estado, destacou que tiveram que mobilizar pessoal de setores como hepatite C e estagiários para suprir essa demanda.
No condado de Ingham, que abriga grande parte da capital Lansing, cerca de 700 casos foram registrados até agora. Entretanto, apenas cinco enfermeiras estão investigando esses casos, o que representa um desafio significativo. Anne Barna, vice – diretora de saúde do condado, explicou que decidiram focar nos novos casos para ajudar as autoridades a entender melhor a situação.
Cortes em agências federais complicaram ainda mais a resposta ao surto. Segundo Dan Jernigan, ex – funcionário sênior do CDC, demissões em massa e reduções orçamentárias impactaram seriamente a capacidade das agências em lidar com surtos dessa natureza.
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Investigação das fontes do surto
No dia 17 de julho, a FDA vinculou o surto à alface americana fornecida pela Taylor Farms e servida nas lojas Taco Bell. A empresa já retirou esse produto do mercado em todo o país enquanto investigações adicionais estão em andamento. Até agora, o CDC confirmou 4.173 casos laboratoriais e há mais de 7.400 casos não confirmados relacionados ao surto.
Embora algumas informações tenham chegado rápido ao estado por meio do CDC e da FDA, as reuniões formais entre estes órgãos têm sido escassas. Uma fonte familiarizada com a situação afirmou que frequentemente souberam das atualizações pela mídia antes das comunicações oficiais.
John Besser, ex – especialista em segurança alimentar do CDC, observou que normalmente haveria reuniões semanais entre os estados envolvidos em surtos significativos e o CDC para coordenar informações essenciais.
A intensificação da investigação local
A ciclosporíase é difícil de rastrear por métodos convencionais de teste; por isso, as investigações dependem fortemente de entrevistas detalhadas com os pacientes. No condado de Oakland, onde vivem quase 1,3 milhão de pessoas, uma equipe dedicada composta por quatro enfermeiras especializadas está realizando essas entrevistas.
Até 24 de julho, eles registraram 710 casos no condado. Durante a pandemia da Covid-19, o departamento local contava com um número maior de funcionários para auxiliar nesse tipo de trabalho; no entanto, muitos deles foram dispensados recentemente.
No Condado rural de Shiawassee, com aproximadamente 68 mil habitantes, a equipe também está enfrentando dificuldades e recrutando voluntários qualificados para lidar com cerca de 450 casos registrados até agora.