Lula enfrenta desaceleração econômica no 2° trimestre com crescimento projetado de apenas 0,8%

Lula enfrenta desafios econômicos com a desaceleração prevista, enquanto analistas alertam sobre impactos da política monetária e do fenômeno El Niño.

27/07/2026 11:50

3 min

A taxa do DIs para janeiro de 2028 ficou em 14,355%
A taxa do DIs para janeiro de 2028 ficou em 14,355%

Após um crescimento de 1,1% registrado no primeiro trimestre de 2026, analistas consultados pela CNN Brasil e o Ministério da Fazenda preveem uma desaceleração econômica para os meses de abril a junho. A expectativa é que, no segundo trimestre, a economia avance apenas 0,8%.

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O Ministério da Fazenda aponta que essa desaceleração está ligada a uma expansão mais modesta nos setores industrial e agronegócio.

Conforme o Boletim Macrofiscal de julho, apenas o setor de serviços deverá apresentar crescimento nesse período. As projeções indicam uma queda significativa na indústria, que deve passar de 1,2% no primeiro trimestre para 0,8% no segundo. No agronegócio, a expectativa é de um recuo de 2% para 0,6%.

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Em contrapartida, os serviços devem ter um aumento de 0,5% para 0,7%.

Expectativas sobre a política monetária

A análise do Boletim Macrofiscal destaca que essa moderação econômica reflete os efeitos da política monetária restritiva adotada anteriormente. A recuperação está prevista para o quarto trimestre, à medida que setores como a indústria de transformação e a construção civil ganhem força novamente.

Contudo, isso deve ocorrer em uma intensidade inferior àquela esperada inicialmente, devido ao ciclo mais curto de afrouxamento monetário nas previsões do mercado.

Alexandre Espírito Santo, economista – chefe da Way Investimentos, acredita que a desaceleração pode ser ainda mais acentuada. Ele projeta um crescimento de apenas 0,4% para o segundo trimestre, valor abaixo das estimativas do governo federal. “A Selic continua muito alta e a inflação permanece elevada.

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Além disso, o cenário deve se agravar com o fenômeno El Niño. O impulso atual do governo será retirado após as eleições e em 2027 precisaremos implementar um ajuste fiscal significativo”, afirmou Alexandre ao CNN Money.

Desafios fiscais e eleitorais

A previsão anual de crescimento feita por Alexandre está alinhada com as expectativas do mercado. O Boletim Focus divulgado em 27 de junho trouxe uma projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 1,99% para este ano. Essa estimativa é menos otimista se comparada à previsão do Ministério da Fazenda.

Luccas Saqueto, especialista da GO Associados, atribui a desaceleração à taxa básica de juros elevada por um período prolongado; atualmente a Selic está fixada em 14,25%. Ele alerta que o cenário fiscal tende a piorar no segundo semestre devido ao aumento dos gastos públicos relacionados às eleições. “Os programas sociais e medidas não planejadas do governo já somam pelo menos R 256,9 bilhões em despesas”, destacou Saqueto.

Embora muitos desses gastos sejam considerados financeiros ou extraorçamentários, há receio de que possam comprometer a credibilidade da meta fiscal estabelecida pelo governo. Para este ano, a meta é alcançar um superávit equivalente a 0,25% do PIB; contudo, existem diversas exceções na regra fiscal que facilitam o cumprimento dessa meta.

Movimentações orçamentárias governamentais

No último mês, o governo desbloqueou R 5,7 bilhões do Orçamento de 2026. Com isso, a contenção total caiu para R 17,9 bilhões. Segundo informações do Ministério do Planejamento e Orçamento, esse desbloqueio ocorreu após uma redução nas despesas com pessoal e encargos sociais.

Saqueto também comenta que as atividades do Congresso devem desacelerar no segundo semestre por conta das eleições. Para ele, são necessárias reformas estruturantes no Congresso Nacional para garantir a sustentabilidade fiscal do país no futuro.

Além dos fatores eleitorais e fiscais já mencionados, ele menciona também os aumentos nos preços dos combustíveis devido ao conflito no Irã e ao fenômeno El Niño como potenciais pressões inflacionárias nos próximos meses.

Com todas essas variáveis em jogo, espera – se que o PIB continue crescendo em 2026; porém em um ritmo mais lento comparado ao primeiro semestre deste ano.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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