Lula anuncia programa habitacional com foco no Sul Fluminense

Lula lança programa habitacional com foco no Sul Fluminense, impulsionando resistência popular após décadas de luta por moradia digna.

Coordenador do MNLM-RJ, Paulo Lopes é professor de escola pública e morador de Volta Redonda

O direito à moradia digna está sendo conquistado coletivamente por movimentos populares no Rio de Janeiro e na região Sul Fluminense através do programa habitacional organizado pelo governo Lula.

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Nesta modalidade participativa — que permite às famílias organizadas participar desde as etapas iniciais —, a Ocupação 9 de Novembro é o exemplo mais recente desse sucesso histórico. A área ocupada há dezesseis anos resiste com força, transformando um terreno abandonado da União em potencial lar para cinquenta e seis apartamentos aprovados pela prefeitura local.

A longa luta rumo aos lares próprios

O projeto residencial está localizado em Volta Redonda, no bairro Santo Agostinho, onde os moradores lutam por moradias próprias já desde 2010. Segundo Paulo Lopes, coordenador estadual do MNLM e também acompanhamento das famílias na Ocupação 9 de Novembro, a jornada até esta conquista foi extremamente desafiadora.

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“Desde então, a luta foi dura,” relembrou Paulinho ao Brasil de Fato, citando momentos como as cozinhas coletivas organizadas pelas vizinhas para revezar vigias durante o sono dos outros. Ele recordou ainda Manoel Nunes, conhecido carinhosamente como ‘Manel’, que sempre reforçava: “nada cai do céu” e era preciso lutar pelo direito à propriedade própria.

O significado da resistência popular

A aliança entre os moradores — composta por mães solo ou trabalhadores em situação de baixa renda— uniu – se no propósito comum de garantir um lar digno aos seus membros.

“Acreditamos firmemente que ter onde morar é a porta de entrada fundamental para todos os demais direitos,” afirmou Lopes sobre o poder transformador desse primeiro passo na vida das famílias. Além dos apartamentos, área verde e espaços coletivos fazem parte do projeto habitacional 9 de Novembro; ainda será incluído também um local memorial dedicado à memória de Dom Waldir Calheiros.

Outros projetos contemplados pelo MCMV

O sucesso da Ocupação em Volta Redonda faz parte de uma onda maior: edital recente do Ministério das Cidades (MCMV – Entidades) reconheceu formalmente as lutas por moradia organizada pelos movimentos populares.

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A Central de Movimentos Populares (CMP), responsável pela organização na região Povo Maravilha, foi entre os grupos beneficiados no último ciclo deste programa federal. Além disso, o projeto Quilombo Gamboa também recebeu a atenção e recursos federais para construir um conjunto habitacional com noventa e seis unidades.

Fortalecendo bairros em São Cristóvão. O MTST coordenou outros empreendimentos vitais que foram contemplados pelo edital do MCMV – Entidades nesta rodada.

Em Guadalupe, será construído mais de 96 moradias através da iniciativa Venceremos; enquanto outro grupo na zona norte terá direito ao Fé na Luta, localizado no bairro de São Cristóvão, onde serão erguidas novecentos e oitenta apartamentos. Para os moradores dessas áreas centrais — como Povo Maravilha —, a conquista representa um passo importante para enfrentar décadas de déficit habitacional.

A luta continua por justiça social

“Quando as pessoas se organizam em movimentos populares e dialogam com quem detém poder público, é possível transformar reivindicações históricas que sempre existiram em políticas públicas concretas,” avaliou Gabriel Siqueira ao Brasil de Fato.

O nome Ocupação 9 de Novembro carrega ainda o peso simbólico da história local; ele homenageia os metalúrgicos assassinados na greve do dia 9 de novembro de 1988. Para Paulinho concluir sobre a importância dessa batalha contínua: “Enquanto houver um trabalhador sem teto por aí, nossa luta não vai dormir.”