Ìyá Sandrali Luta Contra Racismo Religioso no RS

O movimento de mulheres negras é um pilar central na transformação social e política do Brasil contemporâneo. Em uma visão que une espiritualidade africana à militância cotidiana, líderes como Ìyá Sandrali de Campos Bueno e Roberta Moura demonstram o poder da ancestralidade em construir resistência coletiva.
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A força dessas ativistas reside no reconhecimento mútuo: elas afirmam diariamente que quando as vozes das mulheres negras se movem juntas — seja nos terreiros ou nas rodas de samba —, a sociedade também passa por profundas mudanças estruturais.
Matriarcalidade negra contra racismo religioso
Para Ialorixá Íyá Sandrali de Campos Bueno é um ato constante lutar pelos direitos humanos. Psicóloga militante, ela coordena atualmente o Movimento Negro Unificado no Rio Grande do Sul (MNU – RS) e ocupa ainda a vice – presidência do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
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Além disso, atua como Autoridade Civilizatória na Tradição de Matriz Africana para o Batuque do Rio Grande do Sul— Nação Cabinda.
A trajetória dela não se limita ao campo profissional ou espiritual; ele está profundamente enraizado em uma história familiar marcada pela luta das mulheres negras. Segundo Sandrali, sua caminhada começou antes mesmo que fosse um caminho escolhido: “Desde sempre, como toda mulher, já nasci militante”.
O papel central no coletivo. Ela enfatiza veementemente a natureza comunitária da resistência negra. Para ela, ser ativista nunca é algo individual e sim o reflexo de várias gerações lutando juntas na linha matriarcal.
A relação com as tradições africanas também foi construída ao longo do tempo; embora tenha vindo de uma família kardecista tanto pelo lado paterno quanto materno em Porto Alegre, sua aproximação final ocorreu por vivência própria dentro das religiões afro – brasileiras.
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Julho das Pretas como afirmação política
Ao abordar datas simbólicas, Sandrali destaca que Julho das Pretas — Dia Internacional da Mulher Afro – Latino – Americana e Caribenha e o dia nacional dedicado a Tereza de Benguela —, representa muito mais. É um momento para afirmar publicamente toda força acumulada pela mulher negra ao longo do ano inteiro na luta pelos direitos civis.
Ela ressalta ainda em seu discurso sobre racismo religioso que os ataques às religiões tradicionais não são apenas questões jurídicas; eles revelam uma estrutura profundamente racializada contra as práticas negras: “Por quê essa religião? Porque é tradição de negros”.
O samba como memória, resistência e ação política
Em outra frente culturalmente potente está Roberta Moura (Karen Roberta da Silva de Moura), cantora profissional desde a infância. Nascida em São Gabriel, ela construiu sua arte convivendo com o ritmo do samba familiar nos domingos.
A música para Moreira nunca foi vista somente como fonte única de renda. Ela conseguiu conciliar seu papel artístico — que inclui dança afro no Carnavalcom uma carreira paralela na esfera institucional; atua como assessora parlamentar há mais de dois décadas, já desde 2002.
Resgatando as raízes ancestrais. Para Roberta Moura, não existe separação entre cultura e política quando se fala da manifestação artística negra. O próprio gênero é intrinsecamente político por ter nascido em terreiros liderados por mulheres negras históricas do Rio de Janeiro, citando Tia Ciata nesse contexto seminal.
A cantora conta que o samba carrega a memória viva dessa resistência inicial contra práticas consideradas “vadiagem” pelas autoridades na época. Ela também incorporou ao seu repertório um importante elemento cultural chamado *samba de terreiro*, uma vertente ligada à ancestralidade afro – brasileira.
O poder educativo e comunitário da arte
Moura explica como essa música não é apenas entretenimento; ela tem função pedagógica. O ritmo repetitivo transmite ensinamentos profundos, sendo capaz de fazer com que quem nunca ouviu passe pelo show cantando os versos em questão.
A experiência dela mostra a dificuldade histórica enfrentada pela mulher negra nos espaços culturais tradicionalmente machistas das rodas de samba cariocas do Rio Grande do Sul. Ela teve um longo caminho para construir o espaço profissional onde hoje se encontra.
Em resumo, tanto Sandrali quanto Moura reafirmam uma verdade coletiva: seja através dos rituais sagrados da matriz africana ou no palco vibrante e político do samba, as mulheres negras continuam pavimentando diariamente sua luta por direitos sociais profundos na sociedade brasileira.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



