Irã executa dois homens por assassinato de membros da segurança durante protestos de janeiro

O Irã executou, nesta terça – feira (28), dois homens envolvidos nos protestos que ocorreram em janeiro no país. A informação foi divulgada pela mídia estatal e ocorre em meio a um aumento nas sentenças de morte, que organizações de direitos humanos atribuem à escalada da repressão desde o início do conflito com os Estados Unidos.
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Abolfazl Sepahi – Badjani e Amirhossein Safari – Hosseinabadi foram condenados por participarem do assassinato de quatro membros das forças de segurança na Praça Alikhani, em Isfahan, no dia 8 de janeiro. O veículo de notícias do Poder Judiciário, Mizan, reportou as informações sobre as execuções.
Repressão crescente e repercussões internacionais
Os protestos antigovernamentais que tomaram conta do Irã foram recebidos com uma onda de repressão sem precedentes na história da República Islâmica. Durante essa repressão, as forças de segurança mataram milhares de manifestantes. Em meio a esse contexto turbulento, a pressão internacional sobre Teerã tem aumentado devido aos cinco meses de guerra considerados existenciais pelas autoridades iranianas.
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Um painel de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um comunicado na segunda – feira, antes das execuções, informando que pelo menos 12 pessoas foram condenadas à morte por crimes relacionados aos protestos. Grupos como a Anistia Internacional e a organização Iran Human Rights relataram que Sepahi – Badjani e Safari – Hosseinabadi foram executados em público.
A Mizan não especificou o local exato das execuções.
A agência Mehr informou que as execuções ocorreram na Praça Alikhani “na presença de um grupo de pessoas”. Entre os 12 condenados mencionados pelos especialistas da ONU, dois já haviam sido executados anteriormente, em 19 de julho: Erfan Esfandiari e Gol Mohammad Mohammadi.
Controvérsias sobre julgamentos e direitos humanos
A ONU destacou que esses 12 réus foram julgados em uma única audiência em um tribunal fechado, sem clareza sobre as responsabilidades individuais. Segundo os especialistas, essa prática viola os padrões internacionais para julgamentos justos.
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A Human Rights Watch também denunciou que pelo menos 50 pessoas foram executadas nos últimos quatro meses sob acusações vagas relacionadas à segurança nacional. A missão permanente do Irã em Genebra não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários feitos pela Reuters sobre as alegações.
As autoridades iranianas têm negado repetidamente as acusações de abusos contra presos. Ao longo do conflito, elas têm alertado sobre qualquer nova onda de agitação antigovernamental enquanto proclamam a unidade da nação em apoio à República Islâmica.
Tensões com os Estados Unidos
A escalada das ameaças dos Estados Unidos contra o Irã começou no dia 2 de janeiro, quando o presidente Donald Trump advertiu o governo iraniano contra atirar em manifestantes, afirmando que os EUA estavam “prontos para agir”. A campanha militar liderada por Washington e Israel teve início em 28 de fevereiro e resultou na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, desencadeando meses de conflitos armados.
Ainda que os principais combates tenham sido suspensos após um acordo de trégua em junho, novos confrontos se reataram neste mês com uma intensa campanha aérea que agora foi suspensa por Trump. Ele também fez advertências sobre possíveis ações caso as negociações não levassem a um acordo satisfatório.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



