Incêndios colocam em risco a biodiversidade, mesmo em regiões sem que tenham ocorrido queimadas

A pirodiversidade compromete a capacidade de proteção das áreas sem fogo, levando a uma menor variedade de aves nos remanescentes preservados.

tagreuters.com2024binary_LYNXNPEK3H0N3-FILEDIMAGE-e1752695785919

Estudos científicos brasileiros, publicados na revista Forest Ecology and Management, indicam que certas florestas estão perdendo espécies, mesmo sem sofrerem com incêndios, em uma região da Mata Atlântica importante, o Corredor Cantareira-Mantiqueira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Impacto da Biodiversidade de Incêndios

O estudo revela que o incremento da biodiversidade, conceito que se refere ao conjunto de florestas com distintos níveis de perturbação decorrentes de incêndios, comprometeu a função de refúgio das áreas não queimadas, levando a uma menor variedade de aves nos remanescentes preservados.

Pesquisa em Atibaia

Pesquisadores avaliaram a diversidade de espécies de aves em 15 áreas florestais próximas à cidade de Atibaia, em São Paulo. Utilizando os dados do MapBiomas-Fogo, foi possível identificar as espécies com base no histórico de incêndios registrados desde 1985.

Análise de Pirolitos

A diversidade de pirolitos foi determinada pelas variações na frequência, extensão, intensidade e idade das florestas secundárias, gerando formações com distintos níveis de perturbação.

Redução da Biodiversidade

Observou-se que, na medida em que aumenta a variedade de perturbações ao redor do trecho florestal, diminui o número de espécies de aves nas áreas não queimadas. O incêndio causa impactos persistentes, mesmo quando não afeta diretamente a floresta.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Contribuições dos Pesquisadores

Essas áreas deveriam atuar como refúgios para a fauna após os incêndios, mas constatamos que essa função está sendo comprometida, explica Ederson José de Godoy, pesquisador do Instituto de Ciências da Natureza da Universidade Federal de Alfenas (ICN-Unifal) e primeiro autor do estudo, em comunicado divulgado pela instituição.

A pesquisa também incluiu cientistas do Centro de Ciências e Tecnologias para a Sustentabilidade da Universidade Federal de São Carlos (CCTS-UFSCar), campus de Sorocaba, e do Laboratório de Ecologia Espacial e Conservação do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (LEEC-IB-Unesp), campus de Rio Claro.

Leia também

Propostas para a Conservação

A diversidade do fogo frequentemente resulta de incêndios criminosos e causa impactos negativos significativos na biodiversidade. Para evitar a perda contínua de espécies, os autores propõem medidas rigorosas de prevenção e ações de restauração ativa nas áreas mais afetadas, elevando a resiliência das florestas existentes.

Adicionalmente, o estudo propõe uma perspectiva crítica em relação à noção de que a diversidade do fogo pode ser vantajosa para determinados ecossistemas, variando os habitats disponíveis, consolidando as estruturas ecológicas e promovendo a reintrodução de espécies após incêndios.

Contradições na Pirodiversidade

Os autores afirmam que o suporte empírico para a hipótese da pirodiversidade é inconsistente, com estudos confirmando efeitos positivos sobre a biodiversidade em apenas 44% dos casos examinados.

Aparentemente, existe um limite que, ultrapassado, a pirodiversidade se torna prejudicial. Nesses ambientes, a excessiva pirodiversidade pode simplificar o habitat, afetando negativamente espécies que dependem da vegetação inalterada para recursos essenciais.

Riqueza de Espécies Ameaçadas

A pesquisa destaca que 21% da riqueza de espécies, incluindo aquelas ameaçadas e endêmicas, foi encontrada exclusivamente em áreas não queimadas, evidenciando a importância crucial dessas áreas para a conservação da biodiversidade.

Também ressaltam que os serviços ambientais que as florestas fornecem, como polinização, dispersão de sementes, controle climático, controle de pragas e doenças, entre muitos outros, necessitam de florestas intocadas e em equilíbrio (saiba mais em: agencia.fapesp.br/54992).

Como o aumento da biodiversidade de incêndios reduz a riqueza de espécies em florestas não queimadas pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378112725001811.

Fonte por: CNN Brasil