FUP Reafirma Projeto Nacional de Soberania Energética Petrobrás

FUP propõe reestatização estratégica da Petrobrás buscando autonomia energética e fortalecimento do setor produtivo brasileiro já em 2026.

400 petroleiros e petroleiras se reuniram em Salvador (BA) no 20º Congresso Nacional da FUP

O encontro durou cinco dias e colocou no centro do debate um projeto nacional que busca desenvolver o país com base na soberania energética. O foco principal foi fortalecer tanto Petrobrás quanto toda a classe trabalhadora. Os participantes debateram como conciliar essa força estatal sem ignorar os desafios inerentes à transformação completa do setor de energia brasileiro.. Reivindicações centrais: reestatização das unidades estratégicas

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As propostas aprovadas durante plenárias estão destinadas agora às direções internas da própria Petrobrás, além de serem levadas ao conhecimento dos apoiadores eleitorais do presidente Lula e candidaturas parlamentares alinhados aos trabalhadores.

Cerca de 400 petroleiros e petroleiras dos sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) se reuniram em Salvador, na Bahia, a semana passada para o 20º Congresso Nacional da FUP.

Entre as principais deliberações está o pedido pela volta sob controle público (reestatização) das diversas unidades consideradas vitais para a empresa. São citadas refinarias e setores de distribuição que foram privatizados em governos anteriores como os de Temer e Bolsonaro.

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Além disso, foi defendido um fortalecimento robusto tanto no setor de fertilizantes quanto na produção de biodiesel; isso exige incorporar essas subsidiárias diretamente à holding estatal da Petrobrás.

A categoria também determinou que é papel central dessa gigante energética liderar uma transição justa e soberana do modelo energético brasileiro, contando com participação ativa dos trabalhadores nesse processo.

Manifestações reforçam o pleito pela intervenção estatal

Em meio a esse cenário político nacional, houve atos importantes para marcar essa posição: foram realizadas manifestações em locais estratégicos como Refinaria Mataripe (RLAM), antiga refinaria Landulfo Alves — privatizada desde 202—, além de no Campo de Taquipe; ambos localizados na Bahia.

As mobilizações tinham por objetivo denunciar os impactos negativos das vendas privadas feitas pelos governos anteriores. Os petroleiros apontaram desemprego crescente e perda significativa tanto de direitos quanto prejuízos econômico sociais diretos.

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Para o sindicato da FUP, entregar ativos tão cruciais ao capital privado não apenas aprofunda as desigualdades sociais existentes em Minas Gerais ou Nordeste do país, mas também retira instrumentos fundamentais para que o Estado possa exercer sua política econômica e social necessária à população brasileira.

Visão progressista: soberania energética como pilar nacional

O Congresso foi palco diversos painéis com nomes importantes no campo progressista brasileiro. Valter Pomar (dirigente PTFundação Perseu Abramo), Elias Jabbour (militante PcdoB) e Valério Arcary (militante Psol) defenderam um ponto comum: somente é possível enfrentar a crise estrutural capitalista atual através de um projeto nacional focado em desenvolvimento, na classe trabalhadora e na recuperação da capacidade estatal.

A visão deles aponta que o país precisa retomar urgentemente seu planejamento centralizado para proteger setores estratégicos do mercado. Outro debate crucial foi sobre como tratar os recursos naturais. Monica Bruckmann, professora da UFRJ, alertou veementemente contra enxergar esses bens apenas sob uma lógica commodity; ela enfatizou que eles devem ser usados primariamente como base sólida tanto para industrialização quanto para garantir autonomia dos países no consumo local brasileiro.

O futuro energético: controle social é a chave

Lucas Valladares (professor UFBA) complementou essa visão ao afirmar que ter um gigante estatal operando na forma de Petrobrás ainda não garante por si só soberania energética plena. Segundo ele, o essencial passa pela participação institucional ativa e pelo estabelecimento do controle social sobre todo excedente produzido em petróleo.

A avaliação final da categoria foi clara: abrir mão desses recursos naturais sob pretexto de uma lógica puramente mercadológica beneficia apenas poucos setores econômicos no Brasil inteiro. Dessa maneira, para os participantes, garantir energia significa mais do que simplesmente possuir a empresa pública forte; é sinônimo também fortalecer as bases sociais através das políticas públicas voltadas à distribuição real dessa riqueza nacional.