Fujimori declara estado de sítio sob alegação contra crime

Keiko Fujimori tomou posse na presidência do Peru nesta última sexta – feira (31). Em seu primeiro ato à frente da gestão nacional, a herdeira política decretou estado de sítio no país sob o argumento central do combate ao crime.
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No entanto, para Amanda Harumy, analista internacional e especialista peruana, essa medida sinaliza um movimento mais profundo dos militares nas ruas com objetivo claro: reprimir qualquer tipo de resistência popular contra as políticas neoliberais que ela pretende implementar. A análise foi feita durante uma entrevista concedida por Keiko em Conexão BdF, veiculado pela Rádio Brasil de Fato.
Alinhamento militarizado à agenda americana
Harumy avalia a situação apontando que o gesto da presidenta já demonstra antecipação política no contexto polarizador eleitoral do Peru. Segundo a analista, essa ação configura uma “mobilização militar” e um alinhamento direto com pautas internacionais propostas pelos Estados Unidos para toda América Latina.
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“A ela também se uniu na causa segurança pública interna”, pontuou Harumy ao detalhar como esse movimento reflete os interesses dos EUA: estabelecer em países vizinhos políticas de segurança publicamente militaresizadas e totalmente coordenadas aos modelos americanos. Keiko Fujimori representa algo construído pela agenda tanto de Trump quanto de Marco Rubio nesta região,” reforçou ainda Amanda.>
Estabilidade econômica contra a polaridade política
Para convencer um país que vive uma década marcada por grande instabilidade, Keiko está apostando fortemente no discurso da estabilidade financeira. A analista destaca o cenário econômico peruano para contrastar com outras nações.
“A moeda do Peru é bastante estável”, afirmou Harumy ao comparar os índices peruanos em relação à Argentina e outros países. Segundo ela, essa governança não depende apenas dos acordos políticos superficiais; existe forte base de governo nas esferas econômica e financeiras — algo distante das complexidades políticas internas —, pois há muito tempo se sabe como quase ingovernável pode ser a política civiliana: impeachments ou trocas constantes de presidentes fazem parte desse histórico.>
O apoio externo no cenário polarizado
Amanda Harumy aponta que o Peru vive uma divisão geográfica acentuada. Enquanto as elites da capital tendem mais ao espectro político conservador (direita), é possível notar um viés progressista na região interior do país, à esquerda.
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“Acredito firmemente que seja Abelardo [Gómez] na Colômbia, ou Keiko aqui no Perú”, previu ela sobre a sustentação política dos líderes regionais. Para ambas os casos — sejam eles em Bogotá ou Lima —, será fundamental e provável se manterão apoiados pelos Estados Unidos para governar alinhadamente às agendas propostas por Washington.”
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



