Fazendeiros Incendiariam Área para Pasto no Pantanal

Quatro fazendeiros incriminaros com planejamento destroem pastagens no coração do Pantanal.

17/07/2026 16:56

3 min

Brigadistas da comunidade quilombola Kalunga, em Goiás, chegam ao Pantanal como reforço na equipe do Prevfogo/Ibama e enfrentam vegetação densa em seu primeiro dia de combate na região. Corumbá (MS), 30/06/2024.
Brigadistas da comunidade quilombola Kalunga, em Goiás, chegam a...

O Pantana é reconhecido como Patrimônio Nacional pela Constituição de 1988 e também na lista da UNESCO desde 2000, sendo mundialmente conhecido por ser uma das maiores planícies alagadas do planeta. Este bioma transfronteiriço abrange vastas áreas no Brasil — que detém cerca de dois terços dele —, mas enfrenta um grave risco ambiental devido ao avanço histórico do agronegócio em nosso país.

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Estima – se perdas significativas: entre agosto de 2000 e julho de 2025, mais de 16.470 km² de vegetação nativa pantaneira foram suprimidos na região brasileira.

O Pantanal: Um Bioma em Risco

Devastação porIncêndios Criminosos. O problema não se limita apenas à remoção da cobertura vegetal; a destruição pelo fogo é ainda maior que o mapeamento das áreas simplesmente desmatadas. A pecuária tem sido apontada como um dos principais vetores desse ecocídio no Pantanal brasileiro em décadas recentes do país.

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Um marco alarmante ocorreu entre janeiro e agosto de 2020, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou impressionantes 10.15focos de incêndio na região pantaneira naquele período específico. Esse número superou até mesmo os registros acumulados nos seis anos anteriores — de 201a 2019 —, que somaram pouco mais de dez mil pontos.

Investigações Apontam para Uso Agropecuário. A perícia técnica apurou em ao menos duas áreas do bioma um objetivo claro por trás dos fogos: “a criação de área de pasto para gado”. A Polícia Federal reuniu provas suficientes, inclusive indicando quatro fazendeiros cujas propriedades foram palco desse fogo simultâneo no dia 20 de junho de 2020.

Segundo testemunhas ouvidas pela polícia investigativa na época, os proprietários teriam providenciado a retirada total do rebanho antes mesmo de acenderem as chamas.

Os resultados da estimativa queimada apenas nesse ano mostraram uma precisão geral alta e calcularam cerca de 4998 km² devastados em toda porção brasileira do Pantanal — um número superior às projeções feitas pelos modelos MCD64A (3837 km²) ou Map Biomas Fogo (237km².

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O Declínio Hídrico Ameaça o Futuro. Além dos incêndios, a água que nutre esse bioma está diminuindo drasticamente. O diagnóstico feito pelo Eduardo Rosa, pesquisador do Map Biomas na coleção 9/2024, alerta para uma mudança de dinâmica: “Atualmente outra realidade [de uso agropecuário intensivo] altera a dinâmica da água na bacia hidrográfica”, em comparação com períodos secos anteriores como as décadas de 1960 e 1970.

Essa perda é visível nos dados científicos mais recentes; um estudo repercutido no Jornal da Unesp (em primeiro julho de 2026) mostrou que o Pantanal perdeu cerca de 80% de sua superfície hídrica superficial apenas nas últimas quatro décadas.

A avaliação do renomado biólogo Carlos Nobre aponta para uma projeção ainda pior: se mantida essa taxa atual, ele sugere que a região poderá desaparecer até lá pelos anos de 2070, visto já ter perdido 30% de seu território original na área brasileira.

A Luta pela Preservação e Ações Políticas. O desmonte das políticas ambientais tem sido apontado como fator agravante dos incêndios; por exemplo, o relatório “Cronologia de um Desastre Anunciado”, da Associação Nacional dos Servidores de Meio Ambiente (Ascema Nacional), reúne evidências sobre os eventos catastróficos.

Os focos não cessaram: em 2021, apenas no Mato Grosso do Sul, foram consumidos quase dois milhões hectares pelas chamas pelo LASAUFRJ.

Em semestre I de 202sozinho a área queimada atingiu mais de 468.547 hectares. Diante desse cenário crítico e com uma possível onda maior prevista para o ano de2026, fazendeiros obstruíram recentemente esforços pela proteção da região.

No dia 17 de junho de 2026, eles ocuparam em

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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