Exportações de celulose do Brasil caem 9% no primeiro semestre de 2026

A queda nas exportações de celulose reflete uma base de comparação elevada em 2025 e paradas de manutenção, sem indicar perda de demanda externa.

Celulose (5)

As exportações de celulose do Brasil totalizaram 10,3 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, o que representa uma queda de 9% em comparação com as 11,3 milhões de toneladas enviadas no mesmo período do ano anterior. A receita gerada a partir desses embarques atingiu US 5,5 bilhões.

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Em junho, os envios somaram 1,8 milhão de toneladas, também um recuo de 8% na comparação anual. A receita do mês alcançou US 918 milhões.

Apesar da diminuição nos volumes exportados, isso não reflete uma diminuição da demanda internacional pela celulose brasileira, segundo Luca Vello, analista da Genial Investimentos. Ele afirma que a principal razão para essa retração está na elevada base de comparação estabelecida em 2025, um ano recorde para a produção e as exportações do setor.

Além disso, as paradas programadas para manutenção realizadas pelas indústrias durante o primeiro semestre também impactaram os números.

Explicação sobre a queda nas exportações

“Estamos comparando contra um 2025 que foi recorde em termos de produção e embarques. Parte significativa dessa queda é efeito – base”, explicou Vello. Ele acrescenta que as paradas de manutenção concentradas no início do ano reduziram o volume disponível para exportação, mas não indicam uma retração na demanda.

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O analista também observou que o resultado já era esperado pelo mercado, visto que o calendário das manutenções é conhecido previamente e o desempenho das exportações no primeiro trimestre já havia mostrado sinais mais fracos.

A redução dos embarques está mais ligada à diminuição da oferta interna do Brasil do que à perda de compradores externos. Vello ressaltou que não houve problemas logísticos significativos que pudessem justificar a queda nos volumes enviados ao exterior e destacou que a demanda chinesa — principal destino da celulose brasileira — continua elevada, embora os preços estejam sob pressão.

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Impacto dos preços internacionais

Os preços internacionais ajudaram a amenizar parcialmente os efeitos da menor quantidade exportada; no entanto, não foram suficientes para compensar totalmente a queda nos embarques. Durante grande parte do semestre, a fibra curta foi negociada entre US560 e US 600 por tonelada líquida na China, em um cenário marcado por excesso de oferta e demanda mais fraca na indústria chinesa de papel e tissue.

Expectativas para o segundo semestre

Para o restante do ano, espera – se uma melhoria nos embarques anuais à medida que as paradas de manutenção fiquem para trás e a base comparativa se torne menos desafiadora. Um fator adicional que deve contribuir para aumentar a oferta brasileira é a entrada gradual da nova capacidade produtiva, ampliando a produção nacional de celulose de fibra curta.

O especialista conclui afirmando que a queda observada em 2026 é essencialmente conjuntural e não implica perda estrutural de competitividade para a indústria brasileira. “Vejo esse movimento como resultado das manutenções programadas e do atual ciclo de preços.

O Brasil continua sendo o produtor com menor custo no mundo e deve seguir atendendo ao crescimento global por celulose”, finalizou.