Explosão no porto de Beirute completa seis anos e país ainda enfrenta suas consequências

Seis anos após a explosão, o Líbano ainda luta para se recuperar da tragédia, com investigações paralisadas e um impacto econômico devastador.

Explosão na região portuária de Beirute, no Líbano

Seis anos após a devastadora explosão no porto de Beirute, capital do Líbano, o país ainda vive as consequências daquela tragédia. Em 4 de agosto de 2020, ao menos 215 pessoas perderam suas vidas e mais de 6.000 ficaram feridas. Os danos materiais foram estimados entre US 3,8 bilhões e US 4,6 bilhões.

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A força da explosão foi comparada a um terremoto de magnitude 3,3, causando destruição em um raio de 10 quilômetros. Acredita – se que o incidente tenha sido provocado por um incêndio em um armazém que armazenava 2.700 toneladas de nitrato de amônio.

Investigação paralisada

Após a explosão, as autoridades libanesas prometeram uma investigação que deveria ser concluída em cinco dias. No entanto, interferências políticas e contestações legais contra os juízes responsáveis atrasaram o processo, resultando na paralisação das investigações.

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Na manhã do dia seguinte à explosão, uma nuvem de fumaça vermelha pairava sobre Beirute enquanto os bombeiros lutavam para conter o fogo no porto. Rania Marsi, uma moradora da cidade que estava distante do local do acidente, descreveu a experiência: “O que eu senti parecia um terremoto.

O apartamento balançou horizontalmente e de repente parecia uma explosão; as janelas e portas se abriram com força”, relatou à CNN.

A destruição foi imensa: escritórios do ex – primeiro – ministro Saad Hariri e da sucursal da CNN também foram danificados. Uma testemunha declarou à Reuters: “Vi uma bola de fogo e fumaça subindo sobre Beirute. As pessoas estavam gritando e correndo, sangrando.” As imagens capturadas logo após o evento mostraram edifícios pulverizados e veículos destruídos.

Carga explosiva no porto

A carga explosiva que causou a tragédia chegou ao porto em 2013 a bordo do navio Rhosus, registrado na Moldávia. Este material extremamente volátil permaneceu armazenado até sua detonação em agosto de 2020.

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A embarcação havia sido subfretada pela empresa Spectrum para realizar estudos sísmicos no Líbano em 2012. Segundo informações da TGS, que adquiriu a Spectrum anos depois, um levantamento havia sido feito no país em 2013 por meio de um subcontratado.

As alegações relacionadas ao processo tentam conectar as investigações realizadas em 2013 com aquelas iniciadas após a explosão em 2020.

Impacto político e renúncia do governo

Seis dias após a tragédia, diante da pressão popular e da grave crise econômica que se instaurou no país, o governo libanês anunciou sua renúncia. O então primeiro – ministro Hassan Diab explicou: “Estamos dando um passo para trás para ficar do lado do povo e lutar com eles a batalha da mudança.” Ele enfatizou a necessidade de abrir espaço para um projeto nacional que envolvesse todos os libaneses na reconstrução do país.

A demissão foi vista como uma resposta às manifestações massivas pedindo justiça e mudanças estruturais no Líbano. “Que Deus proteja o Líbano”, completou Diab ao anunciar sua saída.