EUA vão retomar importação de gado do México em 30 dias após suspensão de proibição
A retomada das importações de gado do México deve aliviar a pressão sobre os preços da carne bovina nos EUA, impactando positivamente a indústria local.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou na sexta – feira (24) a suspensão da proibição de importação de gado mexicano, uma medida que estava em vigor há mais de um ano para controlar a bicheira – do – novo – mundo. A restrição contribuiu para o aumento recorde nos preços da carne bovina, o que gerou pressão sobre a administração do presidente Donald Trump para encontrar soluções que reduzam os custos enfrentados pelos consumidores.
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A proibição das compras de gado do México não conseguiu impedir a entrada da praga no território americano, que avançou pela América Central. Em junho, os primeiros casos foram identificados em fazendas no Texas. Com isso, o USDA planeja retomar as importações pelo porto de Douglas, no Arizona, em um prazo de 30 dias e abrir outros dois portos no Novo México posteriormente.
Retomada das importações e medidas de segurança
Segundo o comunicado do USDA, a reabertura dos portos para gado será feita em etapas e estará condicionada ao cumprimento por parte do México de um plano específico. A bicheira – do – novo – mundo se desenvolve a partir de ovos depositados em feridas abertas e mucosas de animais.
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Quando as larvas eclodem, elas podem causar sérios danos ao hospedeiro, podendo até levar à morte se não houver tratamento adequado.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, informou que orientou as autoridades locais a acelerar os preparativos para a retomada das exportações de gado aos Estados Unidos, prevendo que isso ocorra nas últimas semanas de agosto.
No Texas, estado que lidera a produção de carne bovina nos EUA, o fechamento da fronteira impactou severamente a indústria, avaliada em US 100 bilhões. Sid Miller, comissário de Agricultura do Texas, elogiou a decisão do governo Trump sobre a retomada limitada das importações, mas expressou preocupação com o impacto contínuo da bicheira na pecuária local.
Preocupações do setor e efeitos econômicos
Miller destacou que a reabertura das importações é uma medida positiva para pecuaristas e consumidores americanos. Contudo, enfatizou que essa decisão deveria ter sido tomada antes. “A desorganização na indústria pecuária dos EUA já causou estragos nas cadeias de suprimentos e cria incertezas que podem ter consequências duradouras”, afirmou.
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Julie Anna Potts, presidente e CEO do Meat Institute, ressaltou que permitir a importação vai ajudar os frigoríficos a atender melhor à demanda diante da oferta restrita. Ela defendeu uma reabertura gradual e cuidadosa da fronteira com foco na segurança alimentar.
Por outro lado, Bill Bullard, CEO do grupo de produtores de gado americano, alertou para os riscos adicionais relacionados à nova infestação nos EUA com a abertura da fronteira. Ele enfatizou que isso pode facilitar o movimento de gado proveniente do sul do México, onde a praga já é endêmica.
Os preços da carne bovina nos Estados Unidos atingiram níveis históricos este ano devido à diminuição drástica do rebanho americano e às condições climáticas desfavoráveis que forçaram produtores a reduzir seus efetivos. A Tyson Foods já fechou uma grande planta no Nebraska por conta dessa crise.
A associação Texas Cattle Feeders também considerou seguro retomar as importações desde que protocolos adequados estejam em vigor.
Josh Winegarner, diretor de relações governamentais da entidade mencionada, afirmou que o tempo perdido com a proibição permitiu ao USDA desenvolver melhores protocolos para enfrentar a bicheira. Os portos no Arizona e no Novo México são vistos como opções mais seguras para reabertura das importações em comparação ao Texas.