EUA avaliam romper laços com ACNUR, afirmam fontes diplomáticas

Nas últimas semanas, o governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, avaliou a possibilidade de se desvincular do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Essa situação levou a uma intensa campanha de diplomatas e autoridades da ONU para convencer Washington a continuar seu apoio financeiro à agência.
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Oito fontes, incluindo diplomatas e representantes de organizações humanitárias, confirmaram à Reuters que os EUA, tradicionalmente o maior doador do ACNUR, estão considerando essa separação. A expectativa era que uma decisão fosse anunciada na semana passada, mas até o momento nenhum comunicado foi feito, sugerindo que as pressões políticas podem ter adiado ou evitado essa medida.
A disputa está centrada na recente nomeação da diplomata Tressa Rae Finerty para o cargo de vice – alto – comissária do ACNUR. Finerty foi escolhida pelo secretário – geral da ONU, António Guterres, e pelo alto – comissário da ONU para Refugiados, Barham Salih, em detrimento de Simon Hankinson — um candidato apoiado pelos EUA que criticou o ACNUR por supostamente promover uma “agenda de migração em massa”.
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Hankinson afirmou à Reuters que sua experiência seria útil para implementar reformas que retornassem à missão original do ACNUR. Ele descreveu Finerty como alguém que representa a continuidade do status quo na agência.
Reação à nomeação
Em resposta à escolha de Finerty, um ex – alto funcionário do ACNUR comentou que Salih enfrentaria resistência interna caso optasse por apoiar Hankinson. Essa situação reflete um dilema mais amplo enfrentado por outras agências da ONU, como a Organização Internacional do Trabalho, em relação às nomeações de autoridades dos EUA.
Questionamentos sobre o comprometimento norte – americano com a cooperação global também surgiram nesse contexto.
Andrew Veprek, secretário – assistente de Estado no Escritório de População, Refugiados e Migração dos EUA, conhecido por defender posições contrárias à imigração, esteve envolvido no apoio à candidatura de Hankinson. No entanto, o Departamento de Estado não comentou sobre sua participação nas discussões.
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Impacto da possível retirada dos EUA
Conforme dados do ACNUR, os Estados Unidos foram responsáveis pela maior parte das contribuições em 2025, com um total de US 868 milhões (cerca de 4,5 bilhões de reais), representando cerca de um quarto do total arrecadado pela agência. Neste cenário crítico, o ACNUR já enfrenta dificuldades financeiras significativas; seus recursos disponíveis caíram cerca de 30% em 2025 em comparação ao ano anterior.
Como resultado dessas limitações orçamentárias, milhares de postos de trabalho foram cortados e novos cortes são esperados para este ano.
Diplomatas e autoridades envolvidas com ajuda humanitária alertaram que uma retirada total dos EUA poderia agravar ainda mais a crise atual e comprometer o suporte à Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados de 1951 – elemento fundamental na proteção aos refugiados após a Segunda Guerra Mundial.
Um ex – funcionário do ACNUR enfatizou que repensar essa decisão representaria uma “ameaça existencial” para a agência e poderia desencadear um efeito dominó devastador no sistema global de apoio aos refugiados.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



