EUA assinam acordo nuclear com Arábia Saudita que pode permitir enriquecimento de combustível
A assinatura do acordo nuclear gera preocupações sobre a segurança na região e a possibilidade de a Arábia Saudita desenvolver armas nucleares.
Nesta quarta – feira (22), o Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou a assinatura de um acordo nuclear com a Arábia Saudita. O documento agora será enviado ao Congresso para análise obrigatória, podendo permitir o enriquecimento de combustível para reatores nucleares civis sem seguir o chamado “padrão – ouro” de supervisão internacional.
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Essa informação foi confirmada por duas autoridades americanas e uma fonte próxima ao assunto.
O acordo, conhecido como “acordo 123”, implica que empresas dos EUA forneçam tecnologia e expertise para desenvolver o programa nuclear saudita. Qualquer autorização que permita à Arábia Saudita acesso à tecnologia nuclear gera preocupações internas e na região do Oriente Médio, uma vez que a capacidade de enriquecer combustível pode teoricamente levar ao desenvolvimento de armas nucleares.
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Detalhes do acordo nuclear
Durante a declaração sobre a assinatura do pacto, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, defendeu que “os acordos mantêm os mais altos padrões de segurança nuclear e não proliferação”. A CNN havia noticiado anteriormente que o governo americano adiou o acordo por meses devido a receios relacionados à guerra com o Irã e à possibilidade de rejeição pelo Congresso.
Antes do início do enriquecimento de urânio, uma equipe conjunta dos EUA e da Arábia Saudita avaliará se a medida é justificada e comercialmente viável. Os americanos construirão as instalações necessárias, mas sem transferir tecnologia sensível para o país árabe.
Além disso, segundo informações do Wall Street Journal, o acordo proíbe Riad de desenvolver sua própria tecnologia de enriquecimento ou adquiri – la de outros países pelos próximos dez anos.
O pacto apresenta limitações sobre as inspeções que poderiam ser realizadas no programa saudita, levantando dúvidas entre legisladores. Diferentemente dos Emirados Árabes Unidos, que assinaram um acordo com os EUA em 2009 seguindo um “padrão ouro”, a Arábia Saudita não é obrigada a assinar um Protocolo Adicional com a Agência Internacional de Energia Atômica.
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Impacto na política regional
A resistência da Arábia Saudita em assinar o protocolo se deve ao temor de que isso possibilite a entrada de inspetores em locais sagrados como Meca ou em palácios reais. O novo documento inclui um pacto bilateral de salvaguardas semelhante ao protocolo – modelo, mas sem as cláusulas que causavam desconforto à Riad.
O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica precisará ratificar os termos do acordo. Para os defensores desse entendimento, ele representa uma oportunidade comercial valiosa para a indústria nuclear americana, atualmente em recuperação, além de excluir concorrentes como Rússia e China.
Segundo Dan Joyner, consultor em regulamentação nuclear e professor da Universidade do Alabama, esse entendimento permitirá que “empresas americanas e aliadas” vendam reatores e serviços relacionados mediante aprovação governamental para exportação.
Joyner também destacou que o acordo pode beneficiar estrategicamente os EUA ao vincular os sauditas ao uso da tecnologia americana, proporcionando influência contínua sobre práticas relacionadas à segurança e não proliferação.
Reações e implicações futuras
A possibilidade do fracasso desse acordo gera preocupações sobre uma possível aliança da Arábia Saudita com Rússia ou China, conferindo influência significativa desses países sobre as infraestruturas críticas sauditas. Outros países da região estão atentos aos desdobramentos desse entendimento.
Israel observa com desconfiança essa nova etapa no acesso da Arábia Saudita à tecnologia nuclear, especialmente considerando sua própria posição no cenário bélico regional. O Irã, rival direto da Arábia Saudita, mantém seu programa nuclear mesmo diante das pressões internacionais e já declarou ter fins civis para suas atividades nucleares.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman afirmou que buscará desenvolver armamento nuclear caso o Irã avance nesse sentido.