Estudo revela que sacrifícios incas variavam em rituais e condições de vida das crianças envolvidas

Estudo revela que as crianças sacrificadas em rituais incas enfrentaram diferentes condições de vida e dietas, refletindo a complexidade das cerimônias.

A Donzela, uma das Crianças de Llullaillaco, é a múmia inca mais preservada do vulcão argentino, revelando segredos da capacocha.

Pesquisadores reconstituíram os últimos dias de vida de três crianças sacrificadas em um ritual do Império Inca, revelando evidências de longas peregrinações, alterações na alimentação e diferentes circunstâncias nas mortes. O estudo envolveu duas meninas e um menino encontrados em santuários de alta montanha nos Andes, relacionados ao ritual de Capacocha.

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A cerimônia consistia na seleção de jovens para serem oferecidos às divindades e aos espíritos das montanhas após extensas viagens a locais considerados sagrados. O garoto tinha entre oito e nove anos quando foi sacrificado no século 15, enquanto as garotas morreram cerca de 30 anos antes do sacrifício de El Plomo, com idades de nove e 18 anos.

Detalhes sobre o estudo

A datação por radiocarbono revelou que os três indivíduos viveram entre 1440 dC. e 1480 dC. Para compreender suas histórias de vida, padrões alimentares e trajetórias até o sacrifício, os cientistas realizaram análises multi – isotópicas em cabelos, dentes e ossos.

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Essas análises ajudaram a mapear os deslocamentos e as condições de vida dos jovens nos meses que antecederam o ritual.

Os resultados mostraram que as crianças vieram de diferentes regiões dos Andes antes do sacrifício, o que indica que a peregrinação fazia parte integrante do rito. Além disso, notou – se uma mudança na dieta das duas meninas pouco antes da morte.

Os níveis de carbono nos fios de cabelo aumentaram, sugerindo maior consumo de milho, um alimento frequentemente associado a banquetes e cerimônias rituais. Essa alteração alimentar pode indicar uma preparação específica para o sacrifício.

As investigações também identificaram variações nas circunstâncias das mortes. Os dados apontam que as vítimas não faleceram da mesma maneira nem na mesma época do ano. Isso sugere uma diversidade nos rituais de Capacocha, que poderiam seguir processos distintos dependendo do contexto cerimonial.

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Contexto histórico do ritual Capacocha

Narrativas coloniais sobre o ritual Capacocha descrevem diversas práticas como estrangulamento, asfixia ou traumatismo contuso durante os sacrifícios. Evidências arqueológicas corroboram essas narrativas ao mostrar lesões perimortem em diferentes contextos relacionados ao Capacocha.

No entanto, alguns casos foram interpretados como mortes não violentas, atribuídas à exposição ao frio ou estresse fisiológico em altitudes elevadas.

A cerimônia era geralmente realizada em resposta a eventos significativos no Império Inca, como desastres naturais, falecimentos de imperadores ou doenças em autoridades importantes. Apesar disso, a análise dos indivíduos estudados não encontrou evidências conclusivas de violência perimortem ou trauma cervical letal.

Contribuições da pesquisa

Os pesquisadores afirmam que este estudo evidencia como a combinação de análises forenses e químicas pode proporcionar uma reconstrução mais precisa das etapas finais da vida das vítimas. Isso oferece novos insights sobre a organização social, mobilidade e as práticas rituais no Império Inca.