Estrangeiros continuam entre as principais vítimas de roubos e furtos em São Paulo em 2026

A persistência dos roubos e furtos em São Paulo evidencia a necessidade urgente de políticas de segurança mais eficazes para proteger as comunidades imigrantes.

Arma de fogo. Imagem ilustrativa

Um levantamento recente revela que a violência contra estrangeiros em São Paulo continua a ser uma preocupação significativa. Entre janeiro e maio de 2026, foram registrados 3.711 casos de roubos e furtos envolvendo imigrantes no estado, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP.

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Apesar de uma redução de quase 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, o número ainda representa milhares de vítimas.

Os bolivianos lideram as estatísticas, com 737 ocorrências, seguidos pelos chineses, que somaram 262 registros. Um dado alarmante é o aumento no número de vítimas venezuelanas, que subiu de 221 em 2025 para 233 em 2026. A advogada criminalista Patricia Vega, especialista em Direito Migratório e atuante na comunidade imigrante, observa que a quantidade de crimes reflete a presença dessas comunidades no estado.

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Fatores que contribuem para a vulnerabilidade

Patricia aponta que um fator importante para a vulnerabilidade dos imigrantes é a visão equivocada dos criminosos sobre suas finanças. “Ainda existe entre os criminosos a falsa percepção de que os imigrantes guardam dinheiro em espécie dentro de casa”, afirma.

Contudo, muitos já possuem contas bancárias, mesmo digitais, e guardam pouco dinheiro em casa.

A distribuição geográfica dos crimes também oferece uma visão mais clara sobre o problema. Das ocorrências registradas, cerca de 78% ocorreram na cidade de São Paulo, totalizando 2.901 casos. O Brás se destaca como o local com maior número de registros, com 353 ocorrências.

Este bairro é conhecido por abrigar uma grande comunidade boliviana e por ser um centro comercial movimentado.

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Além do Brás, outros locais como Pinheiros e Bela Vista também registraram números significativos de crimes contra estrangeiros. Curiosamente, pontos turísticos como a Avenida Paulista e Praça da Sé também aparecem nas estatísticas, evidenciando que tanto turistas quanto imigrantes enfrentam riscos à segurança.

Dificuldades para buscar ajuda

A vulnerabilidade dos imigrantes não se limita aos crimes cometidos contra eles; registrar um boletim de ocorrência pode ser um desafio considerável. Patricia Vega observa que muitos imigrantes encontram barreiras linguísticas e burocráticas ao tentar relatar um crime. “Hoje o boletim eletrônico exige acesso à conta Govbr.

Imagine um imigrante que não fala português tentando fazer isso sozinho”, explica.

O medo também desempenha um papel crucial na inação dos imigrantes diante da violência. Existe um receio generalizado sobre potenciais complicações migratórias ou trabalhistas ao buscar ajuda das autoridades. De acordo com Patricia, muitos têm medo de deportação ou represálias por parte das autoridades.

Por conta disso, muitos optam por recorrer inicialmente às suas comunidades para buscar apoio e informações necessárias para enfrentar essas situações desafiadoras.

A importância da informação

Casos recentes envolvendo vítimas bolivianas levantaram preocupações sobre possíveis ações direcionadas contra essa comunidade específica. Embora os dados não confirmem isso diretamente, revelam padrões preocupantes entre grupos específicos como os bolivianos e chineses.

Para Patricia Vega, uma solução eficaz passa pela disseminação de informações claras sobre os direitos dos imigrantes no Brasil e como acessar serviços públicos fundamentais. “A comunicação precisa ser simples e direta”, ressalta.

A diminuição nos registros de crimes contra estrangeiros é positiva; no entanto, os desafios enfrentados por esses indivíduos vão além das estatísticas criminais. Para muitos imigrantes, cada crime representa uma perda significativa que vai muito além do material — envolve documentos importantes e economias construídas com esforço.

Portanto, combater a criminalidade é essencial, mas garantir que os imigrantes possam exercer seus direitos com segurança também é fundamental para reduzir sua vulnerabilidade.