Estados Unidos e Arábia Saudita atacam grupos armados xiitas apoiados pelo Irã no Iraque

A ofensiva conjunta dos EUA e da Arábia Saudita evidencia a crescente tensão no Iraque, onde milícias xiitas, apoiadas pelo Irã, desafiam a segurança regional.

Manifestantes no Iraque na embaixada dos EUA em Bagdá, protestam contra os ataques de Washington contra grupos das Forças de Mobilização Popular, apoiados pelo Irã, em 2019

Na quarta – feira (29), os Estados Unidos e a Arábia Saudita realizaram ataques direcionados a grupos armados xiitas apoiados pelo Irã no Iraque. Esses grupos são acusados de estarem por trás de uma série de ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas, o que levou à resposta militar dos aliados.

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A ação destaca o poder das milícias que operam no Iraque, em especial as Forças de Mobilização Popular (FMP), que têm vínculos estreitos com Teerã.

As FMP, conhecidas em árabe como Hashd al – Shaabi, foram formadas há mais de uma década com o objetivo de combater o Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Esse grupo é composto por diversas facções paramilitares xiitas e faz parte da estrutura oficial de segurança do Iraque, sendo cada vez mais influenciado pelo Irã.

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A ascensão das milícias xiitas no Iraque

As milícias xiitas ganharam força à medida que a influência do Irã se consolidou na política iraquiana após a invasão liderada pelos EUA em 2003, que depôs Saddam Hussein. Com apoio financeiro e militar iraniano, essas forças tornaram – se competidoras diretas do Exército iraquiano, adquirindo um poder de fogo considerável.

Além disso, as milícias estão profundamente integradas nas esferas política, econômica e social do país. Elas desenvolveram redes de negócios e conquistaram cadeiras no Parlamento iraquiano. Segundo oficiais de segurança que monitoram suas atividades, esses grupos fazem parte da Resistência Islâmica no Iraque, um conglomerado que reúne cerca de dez facções armadas xiitas radicais, totalizando aproximadamente 50 mil combatentes.

A Resistência Islâmica tem se tornado uma peça chave na rede regional apoiada pelo Irã, realizando diversos ataques com mísseis e drones contra Israel e forças americanas desde o início da guerra em Gaza em 2023. O governo iraquiano, que mantém relações complexas tanto com os EUA quanto com o Irã, convocou uma reunião emergencial para discutir a situação.

Os principais grupos militantes

Dentre as facções mais influentes está o Kataib Hezbollah, considerado o braço armado mais forte da Resistência Islâmica no Iraque. Fundado por Abu Mahdi al – Muhandis nos anos 2000, esse grupo ficou conhecido por sua atuação agressiva contra alvos militares e diplomáticos.

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Após a morte de Muhandis em um ataque aéreo dos EUA em Bagdá em 2020, o grupo continuou sua trajetória militar desafiando as forças americanas.

O Kataib Hezbollah conta atualmente com cerca de dez mil membros e possui um arsenal diversificado que inclui drones e mísseis balísticos. O governo americano já atacou diversas vezes suas bases e centros operacionais ao longo dos anos devido à sua crescente influência.

A Liga dos Justos (Asaib Ahl al – Haq), liderada por Qais Al – Khazali, também merece destaque. Khazali busca estabelecer uma imagem política sólida após um passado marcado por polêmicas e prisões. Ele foi preso pelas forças americanas em 2007 devido a sua suposta participação em um ataque fatal contra soldados americanos.

Após ser libertado, ele formou seu próprio grupo armado e lutou ao lado do Exército Mehdi contra tropas americanas antes de se envolver na luta contra o Estado Islâmico. Embora tenha criticado a presença militar americana no Iraque após a derrota do grupo terrorista, Khazali não participou diretamente dos ataques às forças dos EUA durante a guerra em Gaza e está atualmente envolvido com o Ministério da Educação iraquiano.