El Niño forte pode afetar 49 milhões de pessoas com fome aguda até 2026, alerta ONU

Um fenômeno climático El Niño de grande magnitude pode afetar a segurança alimentar de cerca de 49 milhões de pessoas em várias regiões vulneráveis do mundo até o final de 2026, conforme alerta o Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU.
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A previsão foi divulgada nesta quarta – feira em um relatório que aponta uma probabilidade de 81% para a ocorrência de um El Niño muito forte, com as temperaturas da superfície do mar alcançando níveis recordes desde 1982.
Esse fenômeno, que se caracteriza pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, costuma gerar secas na África Austral, atrasos nas monções na Ásia e chuvas irregulares em outras partes do planeta. “Esses são eventos que, no passado, provocaram fome em grande escala”, destacou Jean – Martin Bauer, diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PMA.
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Aumento da Insegurança Alimentar
O relatório indica que, com base em uma análise realizada em 45 países vulneráveis aos impactos do El Niño, a insegurança alimentar aguda deve atingir um total de 274 milhões de pessoas. Isso representa um aumento alarmante de 22% em relação à população atual que já enfrenta crises alimentares.
A América Central e a África Austral estão entre as áreas mais afetadas, com previsões indicando um aumento de 83% e quase 75%, respectivamente.
Na África Austral, assim como na América do Sul e no Caribe, mais de 12 milhões de pessoas adicionais podem ser afetadas pela insegurança alimentar aguda. Essa situação é especialmente preocupante considerando que muitos desses países chegaram ao período crítico do El Niño após boas colheitas em 2025.
Bauer também fez menção aos conflitos no Oriente Médio e às possíveis perdas nas safras devido às condições climáticas adversas, fatores que podem pressionar ainda mais os preços dos alimentos. O especialista alertou que, embora eventos passados do El Niño não tenham ocasionado grandes picos nos preços globais dos alimentos, a escassez regional pode dificultar o acesso à alimentação para famílias vulneráveis.
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Desafios no Monitoramento da Crise Alimentar
A redução no financiamento por parte de doadores dos Estados Unidos e Europa durante 2025 tem complicado os esforços para monitorar a crise alimentar emergente. Bauer ressaltou uma crescente falta de dados sobre segurança alimentar necessários para avaliar adequadamente os efeitos do El Niño.
No ano passado, o PMA realizou aproximadamente 1,1 milhão de pesquisas domiciliares sobre segurança alimentar; entretanto, esse número caiu para cerca de 800 mil em 2025. Este ano, a coleta de dados diminuiu ainda mais devido à falta de recursos financeiros. “Em um momento em que se corre um risco como o El Niño, é importante ter uma coleta de dados em alta frequência”, enfatizou Bauer.
A redução no monitoramento pode dificultar a identificação rápida das crises alimentares emergentes e agravar ainda mais a situação das populações vulneráveis ao redor do mundo.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



