Cristiano Gamba alerta sobre erros cruciais ao seguir calendário nacional de vacinação infantil

O sistema imunológico de uma criança passa por um longo processo de aprendizado nos primeiros anos de vida: ele precisa reconhecer e se defender dos vírus e bactérias que circulam no ambiente diariamente.
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Nesse contexto, as vacinas são ferramentas essenciais para criar defesas antes mesmo do contato com doenças potencialmente graves. A proteção começa nas primeiras horas após o nascimento e segue rigorosamente ao calendário estabelecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo segurança em todos os processos avaliativos.
Porém, Cristiano Gamba, infectologista do Hospital Samaritano Paulista da Rede Américas em São Paulo, aponta dúvidas comuns na população brasileira — como acreditar apenas nas doses iniciais ou esquecer a importância crucial dos reforços programados —, fatores que acabam atrasando um processo já consolidado.
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Como as vacinas funcionam no organismo
As imunizações operam essencialmente por meio de treinamento. As vacinas apresentam à defesa corporal versões enfraquecidas, inativadas ou até mesmo pequenos fragmentos desses agentes invasores para ensinar o sistema celular sobre eles. Esse contato inicial faz com que o corpo comece imediatamente a produzir anticorpos e células específicas chamadas “células de memória”.
Essas defesas permanecem em vigilância pelo período de meses ou anos após aplicadas na criança. Quando há exposição ao microrganismo verdadeiro mais tarde, é esse arsenal prévio do sistema imune quem reage rapidamente; isso impede um desenvolvimento grave da infecção.
“Diferentemente dos medicamentos — cuja ação ocorre quando a doença já está instalada —, as vacinas trabalham preventivamente”, explica Sumire Sakabe, infectologista no Hospital Nove de Julho (Rede Américas) em São Paulo. Ela ressalta que essa proteção estimula o corpo e cria uma “memória” imunológica eficiente, reduzindo drasticamente hospitalizações e sequelas causadas por doenças infecciosas antes consideradas muito perigosas na época.
A importância de acompanhar a caderneta
Manter um registro atualizado é fundamental para os pais: mais do que apenas papel timbrado, a carteirinha reúne todo histórico da criança quanto à sua imunição total. Christine Tamar, coordenadora do setor de Pediatria no Complexo Hospitalar de Niterói (Rede Américas), explica ser também um guia prático sobre quais vacinas devem estar sendo aplicadas em cada fase dos anos escolares.
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Segundo ela, manter todas as doses rigorosamente em dia não protege somente o indivíduo; essa prática fortalece algo chamado imunidade coletiva e ajuda indiretamente quem por algum motivo específico não pode receber nenhuma dose.
Para garantir esse acompanhamento ideal, é preciso verificar se os dados pessoais — nome completo ou data de nascimento —, estão corretos para evitar erros na hora do registro. Além disso, a caderneta deve guiar tanto nas recomendações específicas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) quanto nos registros das aplicações já realizadas.
Os responsáveis devem checar sempre que há datas previstas para novas dosagens ou reforços vacinais porque algumas proteções exigem mais de uma aplicação completa; também fica importante identificar possíveis atrasos e levar o documento em todas as consultas médicas rotineiras.
Mitos sobre adiamento: quando é seguro adiar doses?
É comum ver pais inseguros ao pensar em suspender um esquema vacinal se a criança apresentar algum desconforto, como coriza leve. No entanto, nem toda doença exige essa pausa na imunização. Aline Junqueira, infectologista do Hospital São Lucas Copacabana (Rede Américas) no Rio de Janeiro, alerta que quadros leves — tosse discreta ou resfriado sem febre alta —, geralmente não são impeditivos para receber as dosagens das pneumocócicas e hexavalente.
“Cada dose tem o momento ideal para oferecer uma resposta protetora melhor”, explica ainda Aline; ela adverte os responsáveis porque atrasos podem deixar a criança vulnerável justamente quando há maior risco em desenvolver formas graves dessas doenças.
Além disso, Camila Luizetto reforça essa ideia ao afirmar: “A vacina é um investimento na saúde através da prática preventiva.”
Vacinação como proteção máxima
Longe de ser algo que se suspende por estar saudável — pelo contrário —, esse estado físico representa exatamente o período onde as doses oferecem sua capacidade mais alta e completa de defesa contra vírus ou bactérias antes do contato com eles.
“Ao estimular tanto anticorpos quanto uma memória imunológica”, complementa ainda Camila Luizetto, pediatra no Hospital Nove de Julho (Rede Américas) em São Paulo. Ela explica a lógica principal dos cuidados preventivos: proteger sempre antes que qualquer doença apareça na vida da criança. Para tornar essa experiência positiva para os pequenos pacientes também é importante usar linguagem simples ao explicar sobre vacinas; atitudes como cantar músicas favoritas durante a aplicação podem ajudar muito nesse processo.”
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



