CPTM aprova greve indefinida após caos na privatização das ferrovias

Os ferroviários que atuam na CPTM aprovaram em assembleia realizada hoje São Paulo um indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do dia 4 de agosto.
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A mobilização ocorre após uma sequência caótica no transporte sobre trilhos, logo depois da operação ter sido assumida pela concessionária Trivia Trens e recém – privatizada nas linhas paulistanas. O estopim para o descontentamento dos trabalhadores foi registrado durante os dias quádra e três desta semana passada — apenas dois dias seguintes à entrada oficial das operações exclusivas da empresa desde 21 de julho.
Crise operacional aciona paralisação
O caos se manifestou na quinta – feira (23), quando um incidente com trem causador explosões gerando pânico entre passageiros que caminhavam pelos próprios trilhos. A pane resultou em interrupção completa do serviço, forçando a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a determinar uma suspensão temporária no sistema estatal CPTM.
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Apesar dos esforços para corrigir as falhas operacionais por parte dos ferroviários convocados às pressas, os sindicalistas apontam grandes lacunas quanto à garantia da estabilidade profissional desses funcionários contratados provisoriamente pela gestão estadual.
Demandas e críticas sobre o modelo privado
O Sindicato Central do Brasil cobra urgentemente que o governo paulista garanta definitivamente todas as vagas. Fernando Ricardo Santos da Costa, titular do conselho fiscal do sindicato, defendeu publicamente: “a categoria de CPTM tem direito a continuar exercendo seu trabalho como empresa pública… preocupada com o serviço e não apenas com lucros”.
Representando trabalhadores em oito empresas ferroviárias espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os líderes sindicalistas alertam para riscos inerentes ao encargo temporário imposto pelo Estado.
Instabilidade sistêmica é apontado pelos funcionários. Os colaboradores tême que serão descartados assim que expirar o prazo dos três meses da operação emergencial. Para as lideranças sindicais, essa crise recente desmantela qualquer argumento sobre superioridade do modelo privado no interesse público operacional.
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Costa reforça ainda a visão crítica: “o modelo de empresa privada operando ferrovia… não está se mostrando adequado”.
O sentimento negativo vai além das linhas paulistanas; os sindicalistas citam outras vias já concedidas à iniciativa particular com instabilidades recorrentes em funcionamento.
Prazo final e reivindicação política
Os dados oficiais referentes ao primeiro semestre de 2026 corroboraram o clima tenso da categoria. Um levantamento feito pela TV Globo apontou que as concessionárias registraram um aumento significativo nos problemas, comparado ano anterior no volume total ocorrido diariamente.
Na Linha 7 – Rubi, por exemplo, a frequência dessas falhas alcançou uma marca alarmante: houve até seiscentos pontos percentuais (600%) desde que sua operação foi repassada para terceiros.
Outro ponto central do descontentamento é visto pelo financeiro dos contratos firmados sob gestão governamental; segundo estimativas da Federação Nacional dos Metroferroviários (Fenametro), cerca de setenta e cinco% dos investimentos previstos continuariam sendo custeados diretamente pelos cofres estaduais.
Isso significa que o governo arcaria com os riscos bilionários enquanto apenas um lucro líquido seria direcionado à concessionária, penalizando a qualidade percebida no serviço aos passageiros. Os ferroviários fixaram 31 de julho como prazo limite: neste dia deve ser apresentada uma contraproposta oficial pela administração Tarcísio de Freitas às reivindicações sindicais.
As exigências incluem ainda aprovar em Assembleia Legislativa paulista (Alesp) o Projeto de Lei nº 730/2025 para permitir reaproveitamento dos empregados públicos. Caso não haja acordo até lá, será realizada assembleia no dia 3 de agosto com avaliação da deflagração total do movimento paralisação a partir do primeiro minuto do día seguinte.**
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



