Copom reduz Selic para 14% ao ano e economista aponta visão positiva sobre desaceleração da inflação
A redução da Selic para 14% ao ano sinaliza um otimismo cauteloso do Copom sobre a inflação, mas desafios como o endividamento das famílias permanecem.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo os juros básicos da economia em 14% ao ano. A medida foi aprovada por unanimidade e divulgada nesta quarta – feira (5), gerando reações entre analistas do mercado financeiro.
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A economista – chefe do Inter, Rafaela Vitória, comentou sobre o comunicado do Copom durante uma entrevista ao CNN Prime Time. Ela acredita que a mensagem sinaliza uma visão positiva em relação à desaceleração da inflação. “O Copom dá a entender que ele vê esse processo de desaceleração da inflação com bons olhos”, destacou.
Rafaela Vitória também prevê que este não deve ser o último corte na Selic, apontando para a possibilidade de continuidade na calibração da política monetária.
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Desaceleração da inflação e suas implicações
A economista enfatizou um dos principais pontos do comunicado: a menção à recente desaceleração da inflação, incluindo a chamada inflação subjacente — que se refere aos preços mais sensíveis às ações do Banco Central. “Essas medidas, no seu conjunto, já estão, inclusive, dentro do intervalo da meta”, ressaltou.
Com base nessa análise, Rafaela Vitória projeta um cenário positivo para a economia. Contudo, ela também abordou os custos associados à desinflação no Brasil. Segundo ela, esses efeitos já são visíveis na desaceleração do crédito, no aumento da inadimplência e nos processos de recuperação judicial de diversas empresas.
Além disso, o elevado nível de endividamento das famílias é um fator preocupante. “Esse aperto monetário que se prolonga já por alguns anos coloca um custo elevado à economia”, afirmou.
Cenário fiscal e suas consequências
Ainda sobre as expectativas futuras, Rafaela Vitória lembrou que no início deste ano o mercado projetava cortes mais substanciais na Selic, com previsões de reduções entre 50 e 75 pontos – base. No entanto, o afrouxamento monetário ocorreu em um ritmo mais lento e tardio devido ao forte estímulo fiscal observado.
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Questionada sobre como o cenário eleitoral e as políticas fiscais podem impactar as próximas decisões do Banco Central, ela reconheceu que medidas de expansão fiscal — como aumento nas transferências de renda e subsídios ao crédito — dificultaram cortes mais rápidos nos juros.
Ela alertou que o próximo governo precisará fazer uma escolha clara: “O próximo governo vai ter que balancear entre mais gastos e juros mais altos por mais tempo ou fazer um ajuste que permita que a taxa de juros caia de maneira mais rápida”, concluiu.