Ciência revela como o ritmo circadiano faz corpo acordar antes do despertador

A pesquisa destaca a importância do ritmo circadiano na regulação do sono e sugere que acordar antes do despertador pode ser um sinal de boa saúde do sono.

Poucos minutos antes do alarme, o corpo já inicia a transição do sono para o estado de vigília.

Acordar minutos antes do despertador tocar é uma experiência comum para muitas pessoas. Essa sensação de que o corpo “sabe” o momento certo de despertar está diretamente relacionada ao ritmo circadiano, o relógio biológico responsável por regular o sono, a temperatura corporal, o apetite e a liberação de hormônios ao longo de um ciclo de aproximadamente 24 horas.

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Por outro lado, muitos se perguntam se os finais de semana são um bom momento para compensar noites mal dormidas. O que provoca essa habilidade do corpo em antecipar o alarme? Além dos fatores hormonais, a questão comportamental também desempenha um papel importante.

O hábito de acordar antes do despertador está ligado à repetição de horários, às condições do ambiente onde se descansa e a fatores como o estresse diário.

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O ajuste do relógio biológico

Quando uma pessoa mantém um padrão estável de sono por semanas ou meses, seu cérebro registra esse compromisso e começa a preparar o organismo para acordar com mais precisão, reduzindo gradualmente a necessidade do alarme. Para os especialistas em medicina do sono, esse fenômeno é visto como algo positivo.

Alan Luiz Eckeli, professor de Neurologia e Medicina do Sono da Universidade de São Paulo (USP), explica que em condições ideais, o corpo deveria ser capaz de funcionar como seu próprio despertador.

Eckeli observa que quando alguém depende exclusivamente do despertador para sair da cama, isso pode indicar que a qualidade do sono da noite anterior não foi satisfatória. O ideal seria que o despertar ocorresse naturalmente, sem a necessidade desse estímulo externo.

No entanto, nem sempre acordar antes da hora programada é um sinal positivo. Em momentos de maior ansiedade ou estresse, os níveis de cortisol podem aumentar subitamente, interrompendo o sono muito antes do esperado e resultando em um despertar cansado.

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A diferença está na sensação ao acordar: se a pessoa se sente alerta e descansada minutos antes do alarme, isso indica um bom ajuste do ritmo circadiano; caso contrário, se sentir fadiga ou agitação ao acordar pode apontar para uma noite de sono inadequada.

A dependência do despertador

Embora muitos funcionem bem com esse relógio interno ajustado, o despertador ainda é fundamental para grande parte da população. A vida nas cidades impõe horários rígidos de trabalho e estudo que nem sempre coincidem com os ritmos naturais individuais.

Um levantamento realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) revelou que 72% dos brasileiros enfrentam problemas relacionados ao sono, incluindo insônia — cerca de 146 milhões de pessoas afetadas.

Nesse contexto, o uso do alarme continua sendo necessário para manter as rotinas diárias e evitar atrasos. Apesar das evidências científicas sugerirem que ele poderia ser dispensável em situações ideais, especialistas recomendam estratégias para reduzir essa dependência.

Manter uma rotina regular de sono — dormir e acordar sempre nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana — pode ajudar nesse processo.

Além disso, evitar a exposição a telas antes de dormir e assegurar tempo suficiente para completar os ciclos naturais de descanso são dicas valiosas. Com essas práticas adequadas, o organismo tende a assumir gradualmente a função atualmente desempenhada pelo alarme.