Ciclones, furacões, tufões e tornados: entenda as diferenças entre esses fenômenos climáticos

Ciclones e tornados causaram danos significativos no Sul e Sudeste do Brasil, evidenciando a importância de entender suas diferenças e impactos climáticos.

Montagem ilustrativa de eventos climáticos no Brasil em julho de 2026

Árvores caídas, destelhamentos e embarcações danificadas marcaram a semana em várias regiões do Sul e Sudeste do Brasil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar de todos esses eventos estarem relacionados a sistemas de baixa pressão, eles não são sinônimos e apresentam características distintas.

Os ciclones, por exemplo, são sistemas de baixa pressão atmosférica onde os ventos convergem para um centro de circulação. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no Hemisfério Sul esse movimento ocorre no sentido horário, enquanto no Norte é anti – horário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ciclones se dividem em duas categorias principais: os tropicais, que se formam sobre águas quentes do oceano, e os extratropicais, que surgem em áreas com contrastes entre massas de ar frio e quente — comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Furacões e tufões: a mesma tempestade com nomes diferentes

Embora muitos considerem furacão e tufão como fenômenos distintos, na verdade ambos se referem ao mesmo tipo de sistema: um ciclone tropical. A diferença está apenas na localização geográfica. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informa que ‘furacão’ é o termo usado para sistemas que se formam no Atlântico Norte e no Pacífico Central Norte, enquanto ‘tufão’ é utilizado para aqueles que se desenvolvem no Pacífico Noroeste, próximo ao Japão, China e Filipinas.

Nos oceanos Índico e Pacífico Sul, o termo genérico ‘ciclone tropical’ é aplicado.

Esses sistemas costumam se desenvolver sobre águas com temperaturas superiores a 26,5°C e podem ter diâmetros que chegam a centenas de quilômetros, permanecendo ativos por vários dias. Quando os ventos sustentados alcançam aproximadamente 119 kmh, eles são oficialmente classificados como furacões ou tufões.

Leia também

Diferenciação entre tornado e outros fenômenos

Por outro lado, o tornado apresenta características bem distintas. Trata – se de uma coluna de ar rotativa que se estende da base de uma nuvem até o solo. Esse fenômeno geralmente surge a partir de uma supercélula — um tipo específico de tempestade.

Ao contrário dos ciclones tropicais, tornados costumam aparecer rapidamente e têm duração breve, frequentemente durando apenas alguns minutos. Essa característica limita o tempo disponível para alertas à população.

Além disso, os tornados são bem menores em comparação aos furacões. Enquanto um furacão pode abranger centenas de quilômetros, um tornado geralmente mede apenas alguns metros até cerca de dois quilômetros de largura.

A natureza dos ventos intensos

A recente intensidade dos ventos em São Paulo e Rio de Janeiro não foi causada por tornados ou furacões. Meteorologistas explicam que as rajadas foram intensificadas pela aproximação de uma frente fria vinda do oceano. Esses sistemas aumentam a velocidade dos ventos nas regiões afetadas, além de trazer chuvas intensas e mudanças bruscas nas condições climáticas.

Cabe ressaltar que nem todo vento forte está relacionado a ciclones ou tornados. Rajadas representam variações rápidas na velocidade do vento em curtos períodos; vendavais descrevem ventos fortes capazes de causar danos sem necessariamente envolver rotação; já o cisalhamento do vento refere – se a mudanças abruptas na velocidade ou direção do vento em diferentes camadas da atmosfera.

Classificação dos fenômenos meteorológicos

Cada tipo de evento meteorológico possui seu próprio sistema classificatório. Tornados são avaliados pela Escala Fujita Aprimorada (EF), que varia de EF 0 a EF 5 com base nos danos causados. Já furacões e tufões usam a Escala Saffir – Simpson, dividida em cinco categorias conforme a velocidade dos ventos sustentados e seu potencial destrutivo.

Para classificar os ventos em geral, meteorologistas utilizam também a Escala Beaufort.

Recentemente, observou – se um aumento na frequência dos tornados no Sul do Brasil. Pedro Côrtes, analista de Clima e Meio Ambiente da CNN Brasil, atribui essa tendência às condições atmosféricas ligadas às mudanças climáticas e à influência do El Niño.

Segundo ele, a combinação entre umidade elevada e cisalhamento do vento tem criado ambientes favoráveis para o surgimento das supercélulas responsáveis pelos tornados.