Christopher Nolan estreia “A Odisseia” em Nova York com estátua de cavalo de 12 metros

Na estreia em Nova York da versão de Christopher Nolan de “A Odisseia”, realizada em 14 de julho, uma imponente estátua de cavalo, com quase 12 metros de altura, foi a grande atração do tapete vermelho em Manhattan. Para promover o filme, outros equinos gigantes têm percorrido diversas cidades dos Estados Unidos e do Reino Unido.
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A imagem do famoso Cavalo de Troia também aparece em alguns pôsteres da produção. Apesar de o poema original da Grécia Antiga não detalhar os eventos que cercam essa armadilha mitológica, o cavalo se torna um potente símbolo na narrativa de Nolan, algo que os fãs que já assistiram ao filme reconhecem claramente.
Uma sequência intensa e eletrizante destaca as condições precárias e aterrorizantes enfrentadas por aqueles que se escondem dentro do cavalo, revelando sua fome animalesca por vitória na batalha. Essa cena longa e crua é inédita nas várias representações anteriores desse momento mitológico na cultura pop.
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Max Nelson, professor associado de estudos gregos e romanos na Universidade de Windsor, no Canadá, comentou que nunca viu outra obra que capturasse o público dessa maneira ao retratar os gregos dentro do cavalo. “As difíceis condições em que os gregos esperam por dias dentro do Cavalo de Troia nunca foram mostradas na tela antes”, afirmou Nelson.
A nova perspectiva do Cavalo de Troia
O filme traz uma abordagem inovadora ao inverter a perspectiva familiar ao público. Geralmente, a história é contada sob o ponto de vista dos troianos, que precisam decidir como agir diante do cavalo. “Normalmente, o episódio é apresentado do ponto de vista dos troianos”, observou Nelson.
Essa ideia já estava presente na mente de Nolan há bastante tempo. Ele chegou a ser cotado para dirigir “Troia” em 2004, mas o projeto foi entregue a Wolfgang Petersen. “Está no fundo da minha mente há muito tempo”, disse Nolan à revista Empire no ano passado. “Certas imagens, em particular: como eu queria lidar com o Cavalo de Troia.”
Nolan revelou ainda ao Independent recentemente que dedicou muito tempo pensando sobre como tornar o Cavalo de Troia “crível” para o público. “Tenho a imagem daquele cavalo afundando na areia na minha cabeça há 20 anos”, destacou ele. O novo filme começa com uma cena curta onde os troianos descobrem a estátua aparentemente abandonada à beira – mar, exatamente como Nolan imaginou — um detalhe essencial para fazer com que os troianos não percebessem a armadilha.
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A experiência claustrofóbica dos soldados
No desenrolar da trama, Sinon (Elliot Page), um grego que permanece fora da estátua, explica aos soldados troianos que o cavalo é um presente deixado pelos gregos aos deuses após desistirem do cerco à cidade. Quando pensamos que vamos acompanhar a entrega desse presente armado pelos portões de Troia, Nolan muda a cena.
Retornamos ao cavalo somente cerca de 45 minutos depois, quando Menelau (Jon Bernthal) descreve como se escondeu dentro da estrutura com Odisseu (Matt Damon) e outros soldados.
O que se revela na tela é aterrorizante: homens se afogam durante as marés enquanto lutam para respirar através de canudos improvisados. Menelau conta sobre as condições sufocantes dentro do cavalo — homens empilhados uns sobre os outros enfrentando calor extremo e tendo que urinar e defecar em cima uns dos outros.
Quando finalmente são descobertos pelos troianos, os gregos precisam manter silêncio enquanto escutam Sinon ser morto e devem conter – se quando um soldado tenta esfaquear a estátua repetidamente.
Essa sequência caótica culmina com a estátua sendo arrastada por troianos exaustos até um templo sagrado. Ao som crescente dos tambores, testemunhamos os gregos escapando pela corda durante a noite, eliminando os soldados troianos e lutando para abrir os portões da cidade ante um número crescente de inimigos.
Diferentes representações do mito
Historicamente, as versões anteriores do Cavalo de Troia variaram bastante. O poema “Eneida”, de Virgílio, aborda esses eventos mais detalhadamente. Em adaptações cinematográficas anteriores como “Helena de Troia” (1956) e “A Guerra de Troia” (1961), o cavalo era frequentemente mostrado transportado sobre rodas ou já erguido verticalmente sem qualquer representação realista das condições internas.
Duas minisséries sobre o mito grego antigo — “A Odisseia” (1997) e “Helena de Troia” (2003) — mostram vislumbres dos soldados no interior do cavalo posicionado sobre rodas; contudo, não retratam qualquer sofrimento significativo acontecendo lá dentro.
A professora Kim Shelton da Universidade da Califórnia em Berkeley observou que houve muitas representações do mito desde pinturas murais romanas até manuscritos medievais; porém nenhuma versão definitiva existe devido à natureza mítica da história.
Embora Shelton prefira a representação feita em “Troia” (2004), ela reconhece que cada adaptação tem seu valor interpretativo.
A versão apresentada por Nolan se destaca pelo design elegante da estrutura do cavalo; mesmo assim, isso não diminui as dificuldades enfrentadas pelos atores durante as filmagens das cenas internas. Matt Damon contou ao Games Radar+ que quando questionou Nolan sobre como seriam filmadas essas sequências ele simplesmente respondeu: ‘Vamos nos enfiar lá dentro e descobrir no caminho’.
Para Damon, essa abordagem trouxe uma energia orgânica à cena finalizada.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



