Ceuta: Crise migratória revive memórias de 2015 na Europa
Ceuta enfrenta crise migratória inédita, reacendendo temores sobre cenários europeus como os de 2015.
O enclave espanhol de Ceuta foi palco do caos desde a manhã desta quinta – feira, 30: cerca de 60 mil migrantes chegaram em poucas horas vindos diretamente do Marrocos e tomaram o território sob controle da Espanha.
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A chegada massiva mobilizou imediatamente as Forças Armadas e os órgãos de segurança locais. O episódio resultou entre 34 e 60 mortes registradas na área portuária e teve repercussões imediatas no cenário europeu; até mesmo Itália suspendeu temporariamente sua livre circulação com a Espanha pelo Espaço Schengen.
Tensão política acende lembranças das crises migratórias
O evento reacendeu memórias profundas, remetendo à Crise de Refugiados em 2015, quando mais dos novecentos mil pessoas chegavam aos países da Europa fugindo principalmente dos conflitos que assolam Síria, Afeganistão e Iraque. Embora o controle tenha sido parcialmente restabelecido após um período superior às trinta e seis horas, o episódio abriu uma nova frente significativa na tensão dentro da União Europeia (UE.
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Apesar do governo espanhol afirmar ter conseguido retornar cerca de quarenta e oito mil migrantes ao Marrocos, as imagens contínuas de milhares cruzando a fronteira alimentaram novamente os discursos conservadores sobre imigração em diversos partidos.
Reações europeias: suspensão ou reforço das barreiras
As consequências foram sentidas imediatamente pelos vizinhos. A Itália anunciou o fechamento temporário dos pontos marítimos e aeroportuários para cidadãos não – europeus que chegassem pelo território espanhol; Giorgia Meloni também intensificou o controle na fronteira terrestre com França. Apesar da dúvida jurídica quanto à viabilidade dessa medida dentro do arcabouço legal da UE, Finlândia e Dinamarca manifestaram apoio a essa iniciativa italiana no sentido de endurecer as regras internas.
Em contraste direto, Emmanuel Macron declarou solidariedade ao governo sediado em Madri por parte francesa, mas simultaneamente determinou um reforço significativo do policiamento nas áreas fronteiriças entre Espanha e França. Nos Estados Unidos, imagens semelhantes levaram até mesmo os democratas americanos a alertarem que tais situações poderiam ocorrer caso retornassem o controle político na América americana; inclusive a Casa Branca responsabilizou diretamente essas políticas migratórias espanhol pelo ocorrido. A nível interno europeu também houve forte reação política: partidos conservadores aproveitaram – se da crise para atacar Pedro Sánchez, alegando que sua própria política de regularização teria criado “um efeito de atração” perigoso.
O endurecimento das leis em comparação com 2015
As cenas registradas no enclave lembram muito as tragédias passadas. Em um contexto mais amplo e histórico, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), na Crise de 2015 chegaram às costas europeias pouco mais de novecentos mil cento refugiados; nesse período houve também cerca de três mil quinhentas cinquenta pessoas mortes durante a travessia pelo Mediterrâneo. Mais dos setenta por cento desses recém – chegados fugiam principalmente da Síria, Afeganistão ou Iraque.
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No entanto, o cenário político mudou drasticamente desde então: nos últimos dez anos, países como Grécia e Alemanha passaram não só endurecendo suas leis migratórias em geral, mas ampliando os controles nas fronteiras. Essa mudança dificultou muito até mesmo pedidos formais de asilo na Europa continental hoje do que há uma década atrás; contudo, o tema continua no centro das campanhas políticas nacionalistas pela direita espanhola — onde se pede a deportação massiva— assim como por outros grupos políticos europeus. Apesar desse rigor legal crescente adotado pelos governos continentais para conter fluxos irregulares pelo mar ou ar, o uso da imigração ainda é um poderoso motor político.