Cenipa revela que Voepass fingia consertar aviões para burlar segurança aérea

O relatório do Cenipa aponta falhas graves na Voepass, revelando que a companhia permitiu voos inseguros, resultando em um trágico acidente em 2024.

A Voepass tem 15 aviões comerciais em operação no país

A Voepass foi acusada de burlar regras de segurança aérea ao fingir consertar aviões com problemas técnicos. Essa conclusão faz parte do relatório final da investigação realizada pelo Cenipa, divulgado na última quinta – feira (23). O documento revela que a companhia permitiu que aeronaves com falhas técnicas voassem sem a devida correção dos problemas, postergando soluções definitivas.

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O acidente envolvendo a empresa ocorreu em agosto de 2024 e resultou na morte de 62 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Embora o modelo do avião não violasse os requisitos aplicáveis quando seguisse os critérios da MEL (Minimum Equipment List), o Cenipa identificou situações recorrentes de prazos expirados para correções em bases secundárias.

Nesses casos, a solução adotada era realizar testes operacionais que muitas vezes não resolviam as falhas reais.

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Irregularidades nas operações da Voepass

A investigação destacou que a prática comum envolvia registrar falhas no TLB (Technical Log Book) após testes operacionais, atestando que o sistema estava funcional. No entanto, essa abordagem apenas ocultava problemas crônicos sem solucioná – los.

Frequentemente, as mesmas falhas eram registradas novamente, renovando os prazos sem efetiva correção dos defeitos.

O relatório também concluiu que a aeronave envolvida no acidente não deveria ter decolado. Segundo as apurações, o sistema responsável pela proteção contra acúmulo de gelo estava inoperante. Isso significa que, diante das condições climáticas favoráveis à formação de gelo durante o voo, a autorização para decolagem não deveria ter sido concedida.

O ATR-72, matrícula PS – VPB, realizava a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando se deparou com severas condições para formação de gelo. O acúmulo comprometia seu desempenho, levando à perda de velocidade e eventual queda sobre uma área residencial em Vinhedo.

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Posição da Voepass sobre o acidente

Em resposta às conclusões do relatório, a Voepass afirmou estar colaborando de forma transparente com o Cenipa e as autoridades desde o início das investigações. A companhia se colocou à disposição para ajudar todas as instituições envolvidas no processo.

No comunicado oficial, a empresa descreveu a queda do voo 2283 em 9 de agosto de 2024 como um dos momentos mais difíceis da sua história. A Voepass expressou solidariedade às famílias das vítimas e ressaltou que nunca havia enfrentado uma situação tão trágica em suas três décadas de operação.

Ainda segundo a nota da empresa, todos os procedimentos relacionados à segurança e capacitação da tripulação sempre foram levados a sério. A companhia possui certificação IOSA desde 2012, um importante selo de excelência operacional concedido apenas às empresas auditadas pela IATA.

A tripulação do voo 2283 era composta por profissionais experientes, com mais de 5.000 horas de voo e treinamento rigoroso atualizado regularmente. A Voepass assegurou que não houve registros prévios ou fatores que comprometessem a atuação dos pilotos envolvidos neste trágico acidente.